Hoje, 05/03/2012 recebi de uma colega de profissão um e-mail reportando uma situação que encaramos todos os dias. A falta de respeito de alunos, pais e até autoridades que, valendo-se de suas prerrogativas parlamentares, fazer ecoar aos 4 ventos:
NÃO TENHO ESTUDO MAS FUI PRESIDENTE DA REPÚBLICA. E FORAM 2 VEZES...AH,AH,AH. NÃO PRECISEI FAZER FACULDADE, NEM PÓS-GRADUAÇÃO, NEM MESTRADO, NEM DOUTORADO. BASTOU UMAS CACHAÇAS PARA QUE O POVO SE IDENTIFICASSE COMIGO.
Não tenho muito a dizer além do que está reportado no texto a seguir, mas gostaria que meus leitores dessem sua opinião a respeito.
Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011
Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)
Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, "pela entrada do inverno", resolveu também ir á aula uma daquelas "alunas-turista" que aparecem vez por outra para "fazer uma social".
Para rever os conhecidos.
Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a "estudante" quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.
Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.
Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (???) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.
Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.
Fica cristalina a visão de que, neste país:
Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES
Ø NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO
Ø AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM
Alguns exemplos atuais:
· Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela ?Academia Brasileira de Letras"...
· Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da "Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...
TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.
Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um "ACT" ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00? Moral da história: Os professores ganham pouco, porque ?só servem para nos ensinar coisas inúteis? como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....
SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:
Ø Educação Física: Futebol;
Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;
Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades"
Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;
Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;
Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;
Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...
Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.
Está bom assim? ... eu quero mais!...
ESSE É O NOSSO BRASIL ...
Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)
Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida;
Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas;
Ø Professor - R$ 728,00......................para ........ Preparar para a vida;
Ø Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida;
E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus "bajuladores" apaniguados naquela manobrinha conhecida do "por fora vazenildo"!).
IMPORTANTE:
Faça parte dessa "corrente patriótica" um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse "sono egoísta" as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas "fofas" poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasil !...
P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando!
segunda-feira, 5 de março de 2012
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Se tudo não for Marketing, Marketing será tudo.
Caros amigos enfim estou de volta falando dos assuntos que nos interessam mais de perto. Recentemente recebi o texto abaixo de uma colega da faculdade sobre um livro escrito por um proeminente professor doutor da ECA/USP sobre Marketing.
Alguns estão dizendo que é a versão brasileira do Administração de Marketing de Philip Kotler e sabe que tem lá sua dose de verdade.
Desde que as espresas entenderam que tinham que ter um rumo definido no mercado e esta era uma tarefa de especialistas em mercado, o Marketing passou a figurar como líder de todos os processos internos numa organização.
Senão, de que adiantaria termos uma equipe e Marketing e Vendas afinada e perfeitamente competente se nossos elementos do back office não estivessem de prontidão para atender o que lhes fosse solicitado. Um caminho para a empresa, com a definição de Missão, Visão e Valores deve ser trilhado deste o Conselho da Administração até a moça do Café. Todos falando a mesma língua e remando o barco para o mesmo destino: O sucesso.
Deleitem-se com a matéria de José Roberto Nassar produzida para o jornal Valor Econômico e boa leitura.
20/07/2011 - Marketing com "M maiúsculo", para quem leva planos estratégicos a sério!
Para muitos, marketing virou sinônimo de engodo, encenação, truque para repassar interesses ligeiros ou vender ideias mal ajambradas. Em sua alentada obra, Mitsuru Higuchi Yanase volta as costas para preconceitos e procura demonstrar como é e como deve ser o "marketing com M maiúsculo".
Doutor na matéria, graduado em publicidade, com MBA em administração nos Estados Unidos, titular da ECA/USP, Yanaze escreve que o marketing enfeixa as "estratégias implementadas por uma empresa para a colocação de determinado produto ou serviço no mercado". Fecha, assim, o foco em produto, mercado, consumo. E como carrega consigo as tarefas de planejar, administrar, pensar o conjunto - fórmulas que constantemente flertam com o vazio -, o homem de marketing não pode ser confundido com o vendedor, o publicitário, o assessor de imprensa, o relações públicas. Essas atividades são ferramentas do marketing. Lança-se mão delas quando se desenha e aplica-se o "plano estratégico", tal como se recorre a "métodos científicos" de pesquisa, análise, verificação, medição de retornos etc.
Lecionando na ECA desde o fim dos anos 1970, Yanaze afirma que não fez um "livro didático", porque essa classificação não é aceita pela universidade. Sua obra é, sim, um "guia prático", de "referência didática", que reúne colaborações de outros professores, mestrandos, ex-alunos e ex-orientandos. Tem cara e corpo de didático: cores, quadros, resumos, boxes, fichas estilo Power Point, entremeando o texto principal. Além da narrativa comentada de dezenas de casos empresariais, há exercícios no fim de cada capítulo e, no último, uma "check list" para o leitor rememorar todo o aprendizado dos 30 capítulos precedentes (de sistemas de informação a comunicação digital, ética, responsabilidade socio-ambiental, e por aí afora).
Ética e comunicação, por sinal, podem ser encaixadas no que o autor batiza de "ameaças externas". Em linha com as manifestações de boa intenção que se espalham pelo mundo dos negócios, Yanaze saúda as iniciativas das empresas que implantam seus códigos de ética (incluindo as que aderem ao Novo Mercado, da Bolsa) e das entidades (tipo Conar) que reforçam práticas de autorregulamentação. Diz que comportamento ético não deve ser uma ação oportunista, mas integrada à estratégia da empresa para conquistar credibilidade - e que lei é lei, tem de ser cumprida (como o Código de Defesa do Consumidor).
Mas, homem de marketing, pragmático, lembra que ética também pode ser "um grande diferencial competitivo", importante na conquista de novos públicos e na fidelização dos antigos. Utilitária, cria valores intangíveis para as marcas, robustece a imagem da empresa e produz bons retornos. O mesmo vale para o que se chama de sustentabilidade e responsabilidade social. É assim que se conquista o "share of heart", antes do "share of market" ou do "share of power".
Informação, por sua vez, não é apenas um lance de imagem, para o futuro. Impõe-se desde o primeiro dia de operação da empresa. Vale quase tudo ("sem violar padrões legais e éticos", claro) para obter dados a respeito do mercado, da concorrência, dos consumidores e/ou dos cidadãos (caso do marketing no setor público). Além das fontes básicas, tradicionais e digitais, até os caixeiros-viajantes "podem ser preparados para fazer perguntas simples" aos clientes empresariais sobre número de fornecedores ou vendas de produto concorrente. A tarefa se refinou com o passar dos anos. Existem sistemas de informação de marketing e de "inteligência competitiva", mostrados didaticamente no livro, e profissionais brasileiros do ramo já criaram até uma associação própria. Só não vale, por suposto, espionagem.
Das "ameaças internas" Yanaze trata num capítulo que chamou de "antimarketing". É o único em que se permite fazer confissões pessoais, não sem certo ressentimento por ver frustradas suas expectativas - mas que serve também para mostrar a alunos e interessados como o marketing não deve ser tratado. Numa miniautobiografia, conta a história de sua passagem pela Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), onde trabalhou por 15 anos, numa carreira que o levou de estagiário a diretor de uma subsidiária.
Objeto de estudo de caso em Harvard nos anos 1970, a CAC era uma organização pensada e gerida ao velho estilo. Grande, burocratizada, reunia marcadamente produtores rurais de origem japonesa e sempre transitou muito próxima aos governos militares de então. Uma espécie de símbolo dos tempos do "Brasil potência", a CAC construiu faustosa sede na avenida Jaguaré, em São Paulo, encravada numa área de amplas dimensões. Excessivamente endividada, sem iniciativa, quebrou nos anos 1990, deixando ruínas físicas e contábeis. No transcorrer da evolução desse quadro, Yanaze não conseguiu romper a inércia da organização e trombou com os vários feudos que a dominavam, sem conseguir implantar um trabalho estruturado de marketing. Foi demitido, em 1991, pelas gestões de um de seus inimigos, o diretor comercial (que ele não nomeia).
Lições dessa (e de tantas outras) experiência marcante? Primeira, o reforço na crença de que o alvo central do marketing é consumo e produto/serviço, mesmo que seja político ou editorial (só que aqui a venda "tem de ser diferente"). Segunda, o marketing não é uma atividade isolada; precisa da colaboração dos outros departamentos da empresa, sem a qual, obviamente, não se conseguirá operar uma ação integrada.
Em sendo assim, se não houver uma sintonia finíssima, os chefes dos outros feudos sempre poderão ficar na retranca, reagindo à impressão de que marketing é tudo. Ou tudo é marketing?
Fonte: Por José Roberto Nassar, Jornal Valor Econômico
Disponível em: www.cmconsultoria.com.br
Alguns estão dizendo que é a versão brasileira do Administração de Marketing de Philip Kotler e sabe que tem lá sua dose de verdade.
Desde que as espresas entenderam que tinham que ter um rumo definido no mercado e esta era uma tarefa de especialistas em mercado, o Marketing passou a figurar como líder de todos os processos internos numa organização.
Senão, de que adiantaria termos uma equipe e Marketing e Vendas afinada e perfeitamente competente se nossos elementos do back office não estivessem de prontidão para atender o que lhes fosse solicitado. Um caminho para a empresa, com a definição de Missão, Visão e Valores deve ser trilhado deste o Conselho da Administração até a moça do Café. Todos falando a mesma língua e remando o barco para o mesmo destino: O sucesso.
Deleitem-se com a matéria de José Roberto Nassar produzida para o jornal Valor Econômico e boa leitura.
20/07/2011 - Marketing com "M maiúsculo", para quem leva planos estratégicos a sério!
Para muitos, marketing virou sinônimo de engodo, encenação, truque para repassar interesses ligeiros ou vender ideias mal ajambradas. Em sua alentada obra, Mitsuru Higuchi Yanase volta as costas para preconceitos e procura demonstrar como é e como deve ser o "marketing com M maiúsculo".
Doutor na matéria, graduado em publicidade, com MBA em administração nos Estados Unidos, titular da ECA/USP, Yanaze escreve que o marketing enfeixa as "estratégias implementadas por uma empresa para a colocação de determinado produto ou serviço no mercado". Fecha, assim, o foco em produto, mercado, consumo. E como carrega consigo as tarefas de planejar, administrar, pensar o conjunto - fórmulas que constantemente flertam com o vazio -, o homem de marketing não pode ser confundido com o vendedor, o publicitário, o assessor de imprensa, o relações públicas. Essas atividades são ferramentas do marketing. Lança-se mão delas quando se desenha e aplica-se o "plano estratégico", tal como se recorre a "métodos científicos" de pesquisa, análise, verificação, medição de retornos etc.
Lecionando na ECA desde o fim dos anos 1970, Yanaze afirma que não fez um "livro didático", porque essa classificação não é aceita pela universidade. Sua obra é, sim, um "guia prático", de "referência didática", que reúne colaborações de outros professores, mestrandos, ex-alunos e ex-orientandos. Tem cara e corpo de didático: cores, quadros, resumos, boxes, fichas estilo Power Point, entremeando o texto principal. Além da narrativa comentada de dezenas de casos empresariais, há exercícios no fim de cada capítulo e, no último, uma "check list" para o leitor rememorar todo o aprendizado dos 30 capítulos precedentes (de sistemas de informação a comunicação digital, ética, responsabilidade socio-ambiental, e por aí afora).
Ética e comunicação, por sinal, podem ser encaixadas no que o autor batiza de "ameaças externas". Em linha com as manifestações de boa intenção que se espalham pelo mundo dos negócios, Yanaze saúda as iniciativas das empresas que implantam seus códigos de ética (incluindo as que aderem ao Novo Mercado, da Bolsa) e das entidades (tipo Conar) que reforçam práticas de autorregulamentação. Diz que comportamento ético não deve ser uma ação oportunista, mas integrada à estratégia da empresa para conquistar credibilidade - e que lei é lei, tem de ser cumprida (como o Código de Defesa do Consumidor).
Mas, homem de marketing, pragmático, lembra que ética também pode ser "um grande diferencial competitivo", importante na conquista de novos públicos e na fidelização dos antigos. Utilitária, cria valores intangíveis para as marcas, robustece a imagem da empresa e produz bons retornos. O mesmo vale para o que se chama de sustentabilidade e responsabilidade social. É assim que se conquista o "share of heart", antes do "share of market" ou do "share of power".
Informação, por sua vez, não é apenas um lance de imagem, para o futuro. Impõe-se desde o primeiro dia de operação da empresa. Vale quase tudo ("sem violar padrões legais e éticos", claro) para obter dados a respeito do mercado, da concorrência, dos consumidores e/ou dos cidadãos (caso do marketing no setor público). Além das fontes básicas, tradicionais e digitais, até os caixeiros-viajantes "podem ser preparados para fazer perguntas simples" aos clientes empresariais sobre número de fornecedores ou vendas de produto concorrente. A tarefa se refinou com o passar dos anos. Existem sistemas de informação de marketing e de "inteligência competitiva", mostrados didaticamente no livro, e profissionais brasileiros do ramo já criaram até uma associação própria. Só não vale, por suposto, espionagem.
Das "ameaças internas" Yanaze trata num capítulo que chamou de "antimarketing". É o único em que se permite fazer confissões pessoais, não sem certo ressentimento por ver frustradas suas expectativas - mas que serve também para mostrar a alunos e interessados como o marketing não deve ser tratado. Numa miniautobiografia, conta a história de sua passagem pela Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), onde trabalhou por 15 anos, numa carreira que o levou de estagiário a diretor de uma subsidiária.
Objeto de estudo de caso em Harvard nos anos 1970, a CAC era uma organização pensada e gerida ao velho estilo. Grande, burocratizada, reunia marcadamente produtores rurais de origem japonesa e sempre transitou muito próxima aos governos militares de então. Uma espécie de símbolo dos tempos do "Brasil potência", a CAC construiu faustosa sede na avenida Jaguaré, em São Paulo, encravada numa área de amplas dimensões. Excessivamente endividada, sem iniciativa, quebrou nos anos 1990, deixando ruínas físicas e contábeis. No transcorrer da evolução desse quadro, Yanaze não conseguiu romper a inércia da organização e trombou com os vários feudos que a dominavam, sem conseguir implantar um trabalho estruturado de marketing. Foi demitido, em 1991, pelas gestões de um de seus inimigos, o diretor comercial (que ele não nomeia).
Lições dessa (e de tantas outras) experiência marcante? Primeira, o reforço na crença de que o alvo central do marketing é consumo e produto/serviço, mesmo que seja político ou editorial (só que aqui a venda "tem de ser diferente"). Segunda, o marketing não é uma atividade isolada; precisa da colaboração dos outros departamentos da empresa, sem a qual, obviamente, não se conseguirá operar uma ação integrada.
Em sendo assim, se não houver uma sintonia finíssima, os chefes dos outros feudos sempre poderão ficar na retranca, reagindo à impressão de que marketing é tudo. Ou tudo é marketing?
Fonte: Por José Roberto Nassar, Jornal Valor Econômico
Disponível em: www.cmconsultoria.com.br
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Os idosos no Brasil pedem socorro!
Mais uma vez, o descaso do poder público no Brasil com os idosos está prestes a fazer nova vítima.
Minha mãe aos 84 anos, ainda lúcida e super atarefada, acaba de saber que ficou cega de um dos olhos e que o outro caminha para o mesmo destino.
Há alguns anos, sentindo os primeiros incômodos na visão de um dos olhos, procurou um oftalmologista no SUS para que fosse feito um diagnóstico do que estava ocorrendo. Na época, os competentes médicos oftamologistas do hospital do CEMA que atendem pelo SUS diagnosticaram uma inócua inflação que deveria ser tratada com colírios anti-inflamatórios. Com outros problemas mais urgentes de saúde como cancer na mama, hipertensão e diabetes, fez o que foi indicado mas os problemas foram aumentando. Novas visitas ao oftalmologista sempre geravam o mesmo diagnóstico; uma inflação.
Enfim, a incompetência ou inépcia dos profissionais do SUS prevaleceu e na última consulta realizada na semana passada o diagnóstico foi Degeneração Macular: uma patologia que atinge idosos levando-os a cegueira e que, teoricamente, não tem cura.
"A degeneração macular da idade era conhecida até bem pouco tempo com degeneração macular senil ou pela sigla DMS. O nome foi alterado, já que as pessoas que apresentam degeneração macular podem gozar de plena saúde, física e mental – o termo senil era inadequado. A mácula é a região central da retina. É a área de maior foco e definição das imagens é ela que usamos para leitura e definição das cores. Quem desenvolve a degeneração macular da idade não perde completamente a visão mas fica impedido de ler e fazer trabalhos manuais, não consegue também reconhecer fisionomias.
Fonte: Site Suporte Médico em Oftalmologia disponível em http://www.sdoftalmologia.com.br/cirurgia_degeneracao_macular.asp acesso em 15/04/2011"
Tivessem os oftalmologistas consultados providenciado todos os exames necessários para descartar quaisquer outros problemas mais sérios, quem sabe já teriam percebido o real problema e recomendado uma terapia mais adequada que, pelo menos, retardasse o atual estágio.
Num momento em que os profissionais da medicina, mesmo os que atendem Planos de Saúde Particulares são cooptados a "fazer economia para os Planos" com o risco de perderem o credenciamento, imagine-se então os profissionais que atendem o SUS!
"Os planos de saúde interferem diretamente no trabalho do médico: criam obstáculos para a solicitação de exames e internações, fazem pressão para a redução de procedimentos, a antecipação de altas e a transferência de pacientes.
" Carta Aberta à População do Presidente da Federação Nacional dos Médicos Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes Disponível em http://www.sbacv.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=301:dia-nacional-de-paralisacao-do-atendimento-aos-planos-de-saude&catid=3:newsflash Acesso em 14/04/2011
Mas, pasmem, que o Hospital do CEMA, depois desta consulta que diagnosticou a Degeneração Macular, disse que ela precisava de outro exame mais preciso. Lá foi aquela senhora de 84 anos, na sua ingenuidade, no guichê marcar o tal exame e recebeu a seguinte informação: Volte daqui a 2 meses para MARCAR o exame. Não é para fazer o exame e sim somente MARCAR o tal exame.
Juntamos esforços financeiros na família e pagamos o exame em clínica particular. Feito o exame, confirmado o diagnóstico, o único tratamento possível para tentar retardar a perda da visão do outro olho é a aplicação do medicamento AVASTIN, do laboratório Roche. Pelas nossas últimas consultas, cada dose custa mais de R$ 2.000,00 e ela precisaria pelo menos 2 aplicações por mês. Agora o que nos resta é tentar, novamente o SUS, para uma solução única que existe; aplicação desta medicação que só pode ser feita no Hospital São Paulo ou no Hospital das Clínicas.
Se fosse só isso, já seria demasiado "estressante" para alguém nas condições de saúde da minha mãe, mas ainda tem mais uma barreira a transpor. Para que os ditos hospitais públicos atendam é necessário um encaminhamento de postos de saúde do bairro onde ela vive. Madrugou novamente, aos 84 anos, para ir ao posto de saúde que fez a seguinte observação: Infelizmente não podemos encaminhar nada para estes 2 hospitais. Uma BURROCRACIA que, com certeza, tem a finalidade de intimidar os pobres mortais que precisam desta solução que é garantida pela Constituição, criando grandes obstáculos para que desistam e com isso poupem o dinheiro nosso que eles administram tão mal quando é para nos servir.
A revolta que nos contagia agora, mais do que nunca, se deve à paralisação que atinge a sociedade no sentido de cobrar seus direitos. Todos seremos idosos um dia, todos temos mães, pais, avós que necessitam de um cuidado maior, depois de 50 ou 60 anos contribuindo para que estes governantes usufruam das beneces dos cargos ocupados.
O pior é que continuamos a votar no menos pior.
Minha mãe aos 84 anos, ainda lúcida e super atarefada, acaba de saber que ficou cega de um dos olhos e que o outro caminha para o mesmo destino.
Há alguns anos, sentindo os primeiros incômodos na visão de um dos olhos, procurou um oftalmologista no SUS para que fosse feito um diagnóstico do que estava ocorrendo. Na época, os competentes médicos oftamologistas do hospital do CEMA que atendem pelo SUS diagnosticaram uma inócua inflação que deveria ser tratada com colírios anti-inflamatórios. Com outros problemas mais urgentes de saúde como cancer na mama, hipertensão e diabetes, fez o que foi indicado mas os problemas foram aumentando. Novas visitas ao oftalmologista sempre geravam o mesmo diagnóstico; uma inflação.
Enfim, a incompetência ou inépcia dos profissionais do SUS prevaleceu e na última consulta realizada na semana passada o diagnóstico foi Degeneração Macular: uma patologia que atinge idosos levando-os a cegueira e que, teoricamente, não tem cura.
"A degeneração macular da idade era conhecida até bem pouco tempo com degeneração macular senil ou pela sigla DMS. O nome foi alterado, já que as pessoas que apresentam degeneração macular podem gozar de plena saúde, física e mental – o termo senil era inadequado. A mácula é a região central da retina. É a área de maior foco e definição das imagens é ela que usamos para leitura e definição das cores. Quem desenvolve a degeneração macular da idade não perde completamente a visão mas fica impedido de ler e fazer trabalhos manuais, não consegue também reconhecer fisionomias.
Fonte: Site Suporte Médico em Oftalmologia disponível em http://www.sdoftalmologia.com.br/cirurgia_degeneracao_macular.asp acesso em 15/04/2011"
Tivessem os oftalmologistas consultados providenciado todos os exames necessários para descartar quaisquer outros problemas mais sérios, quem sabe já teriam percebido o real problema e recomendado uma terapia mais adequada que, pelo menos, retardasse o atual estágio.
Num momento em que os profissionais da medicina, mesmo os que atendem Planos de Saúde Particulares são cooptados a "fazer economia para os Planos" com o risco de perderem o credenciamento, imagine-se então os profissionais que atendem o SUS!
"Os planos de saúde interferem diretamente no trabalho do médico: criam obstáculos para a solicitação de exames e internações, fazem pressão para a redução de procedimentos, a antecipação de altas e a transferência de pacientes.
" Carta Aberta à População do Presidente da Federação Nacional dos Médicos Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes Disponível em http://www.sbacv.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=301:dia-nacional-de-paralisacao-do-atendimento-aos-planos-de-saude&catid=3:newsflash Acesso em 14/04/2011
Mas, pasmem, que o Hospital do CEMA, depois desta consulta que diagnosticou a Degeneração Macular, disse que ela precisava de outro exame mais preciso. Lá foi aquela senhora de 84 anos, na sua ingenuidade, no guichê marcar o tal exame e recebeu a seguinte informação: Volte daqui a 2 meses para MARCAR o exame. Não é para fazer o exame e sim somente MARCAR o tal exame.
Juntamos esforços financeiros na família e pagamos o exame em clínica particular. Feito o exame, confirmado o diagnóstico, o único tratamento possível para tentar retardar a perda da visão do outro olho é a aplicação do medicamento AVASTIN, do laboratório Roche. Pelas nossas últimas consultas, cada dose custa mais de R$ 2.000,00 e ela precisaria pelo menos 2 aplicações por mês. Agora o que nos resta é tentar, novamente o SUS, para uma solução única que existe; aplicação desta medicação que só pode ser feita no Hospital São Paulo ou no Hospital das Clínicas.
Se fosse só isso, já seria demasiado "estressante" para alguém nas condições de saúde da minha mãe, mas ainda tem mais uma barreira a transpor. Para que os ditos hospitais públicos atendam é necessário um encaminhamento de postos de saúde do bairro onde ela vive. Madrugou novamente, aos 84 anos, para ir ao posto de saúde que fez a seguinte observação: Infelizmente não podemos encaminhar nada para estes 2 hospitais. Uma BURROCRACIA que, com certeza, tem a finalidade de intimidar os pobres mortais que precisam desta solução que é garantida pela Constituição, criando grandes obstáculos para que desistam e com isso poupem o dinheiro nosso que eles administram tão mal quando é para nos servir.
A revolta que nos contagia agora, mais do que nunca, se deve à paralisação que atinge a sociedade no sentido de cobrar seus direitos. Todos seremos idosos um dia, todos temos mães, pais, avós que necessitam de um cuidado maior, depois de 50 ou 60 anos contribuindo para que estes governantes usufruam das beneces dos cargos ocupados.
O pior é que continuamos a votar no menos pior.
terça-feira, 22 de março de 2011
Entendemos mesmo o que é um amigo?
Não existe amigo ideal. Cada um tem seus defeitos e o melhor mesmo é aprendermos a conviver com eles. Tem os amigos do futebol; os amigos das baladas; os amigos da faculdade; os amigos do trabalho; mas muito poucos ou quase nenhum deles poderá ser amigo em todos estes ambientes com a mesma intensidade.
Aproveitem os amigos de cada hora!
Os bons momentos compartilhados, mesmo com estranhos, ganham magnitude quando podemos chamar este estranho de amigo. Ficamos tristes quando um amigo não quer nos acompanhar numa partida de futebol mas não queremos saber se ele gosta de futebol. Pensamos que se é amigo deve nos acompanhar. Não é bem assim que funciona. A amizade é via de mão dupla. Eu não quero ao meu lado um amigo que não gostaria de estar ali, pois se ele estiver infeliz, eu é que não estou sendo um bom amigo.
Por isso, devemos escolher amigos para cada situação e cada ambiente. Agora, quando um amigo gosta de quase tudo que gostamos, ai a situação está definida e nossa felicidade é maior. Mas veja, quase não é tudo!
Carpe Diem
Aproveitem os amigos de cada hora!
Os bons momentos compartilhados, mesmo com estranhos, ganham magnitude quando podemos chamar este estranho de amigo. Ficamos tristes quando um amigo não quer nos acompanhar numa partida de futebol mas não queremos saber se ele gosta de futebol. Pensamos que se é amigo deve nos acompanhar. Não é bem assim que funciona. A amizade é via de mão dupla. Eu não quero ao meu lado um amigo que não gostaria de estar ali, pois se ele estiver infeliz, eu é que não estou sendo um bom amigo.
Por isso, devemos escolher amigos para cada situação e cada ambiente. Agora, quando um amigo gosta de quase tudo que gostamos, ai a situação está definida e nossa felicidade é maior. Mas veja, quase não é tudo!
Carpe Diem
sábado, 19 de fevereiro de 2011
The Beatles: A imagem de uma marca eternizada
A despeito de todo esforço empreendido pela mídia no sentido de desmistificar a imagem dos Fab-four pelo mundo, divulgando os eventuais desvios de comportamento, as posições extremadas sobre temas polêmicos ou, ao contrário, as omissões de posicionamento sobre temas que a sociedade considera fundamentais, os Beatles se constituem realmente num fenômeno não só musical, mas, também, cultural, político e fundamentalmente de Marketing.
Quando vários teóricos procuram oferecer fórmulas para que as empresas consigam perpetuar sua marca no mercado, através de uma literatura imediatista e pontual, as fórmulas adotadas pelos gestores da marca Beatles, “tão contemporâneas quanto o disco de vinil” se mostram ainda eficientes e eficazes.
O portal Exame publicou em 07/10/09 com o sugestivo título “A construção de uma marca eterna”, um artigo tratando do fenômeno representado pela marca Beatles.
O recente lançamento das versões remasterizadas dos 14 álbuns do grupo Inglês provocou uma verdadeira euforia no mercado fonográfico mundial. Vários recordes foram batidos, inclusive alguns inimagináveis, como a colocação de 5 dos seus álbuns entre os 10 mais vendidos do ano no ranking da Billboard. O recorde anterior era de Michael Jackson, com 3 entre os 10 mais vendidos.
Foram vendidos em 5 dias, 2,3 milhões de cópias dos CDs e, simultaneamente, ao lançamento dos CDs, a MTV e a Viacom lançaram o Beatles Rock Band, um videogame que em apenas 1 semana entrou para o grupo dos 5 jogos mais vendidos nos EUA, Europa e Japão.
Qual o segredo desta longevidade da marca, com o vigor mercadológico apresentado?
Um controle rigoroso da imagem da marca Beatles pelos detentores dos seus direitos pode ser uma das explicações mais tangíveis.
Ou como bem qualifica o artigo do portal Exame; “Há muito marketing – bom marketing – por trás da marca Beatles”.
O artigo continua esclarecendo:
“Uma das táticas para preservar sua mística é manter longos hiatos entre cada leva de lançamentos de produtos que recebem a grife. Desde que os quatro músicos se separaram em 1970, houve apenas quatro grandes “ondas”. Em 1987 lançaram seus álbuns em CD – depois que as outras grandes bandas, como Rolling Stones e Pink Floyd já haviam feito a digitalização de suas músicas. O segundo grande lançamento só veio em 1995. Batizado de Anthology, o projeto reuniu os ex-intergrantes Paul McCartney, Ringo Star e George Harrison para gravação de três álbuns com músicas inéditas deixadas por John Lennon, assassinado 15 anos antes. Em 2000, lançaram o álbum Beatles 1, a primeira coletânea de grandes sucessos do grupo. A procura foi tão grande que o CD entrou para o Guinness Book como o álbum que vendeu mais cópias no menor espaço de tempo em toda a história: 13,5 milhões de cópias no primeiro mês”.
O que se percebe é que existe uma renovação constante de fãs dos Beatles.
Pesquisa da Pew Research Institute nos EUA, empresa especializada em comportamento, mostrou que os Beatles estão entre as quatro bandas favoritas de grupos de pessoas de todas as faixas etárias. E o que é mais interessante, a pesquisa também constatou que os Beatles estão em segundo lugar entre os astros pop mais admirados por jovens de 16 a 25 anos, logo atrás de Michael Jackson.
Mas administrar uma marca tão preciosa é como cuidar da galinha dos ovos de ouro.
O artigo do Portal Exame destaca ainda que este intervalo entre os lançamentos não é somente estratégico. Existem outros fatores contribuindo de forma menos nobre.
O americano Bill Stainton, autor de um livro ( 5 Best Decisions the Beatles Ever Made) que fala sobre o modelo de negócios da banda, aponta a complexa rede de autorizações necessárias para o fechamento de cada contrato como fator decisivo na velocidade dos lançamentos.
“Além dos ex-Beatles e de seus herdeiros, executivos da Sony/ATV (dona do catálogo com as músicas da banda) e da EMI ( que detém o direito de distribuição dos álbuns) precisam avaliar cada proposta. É muita gente para entrar em acordo, diz Stainton.
Para que as decisões desse grupo sejam respeitadas, foi preciso criar uma rede de proteção, com severas restrições ao uso da marca e uma afiada equipe de advogados”.
As restrições englobam fatores tais como:
Não é permitida a inclusão de músicas da banda em coletâneas com outros artistas;
A marca não pode ser vinculada a campanhas comerciais de produtos que não os dos próprios Beatles;
São vetadas promoções com os discos da banda – até hoje eles são vendidos com preços de álbuns novos.
Garantir que a marca esteja protegida ante a voracidade das empresas que procuram capitalizar para si um pouco do carisma dos Beatles já provocou longas batalhas judiciais.
A Nike em 1987 foi processada pela banda por utilizar a música Revolution num comercial de TV. Os ex-integrantes não foram consultados e cobraram 15 milhões de dólares já Justiça. O comercial saiu do ar e chegou-se a um acordo sem que o valor tenha sido revelado.
Em 1976, Steve Jobs batizou sua empresa com o nome Apple, que havia sido usado pelos Beatles, 8 anos antes, para nomear sua empresa a Apple Corps. Depois de 25 anos de briga o caso foi resolvido. Na época noticiou-se que Steve Jobs desembolsou mais de 500 milhões de dólares.
Num resumo desta obra, podemos entender que as fórmulas mirabolantes adotadas pelos marketeiros de plantão, visando perpetuar uma marca através de sua imagem percebida, podem não passar de mera retórica. Por trás de uma marca que quer ser percebida de forma positiva junto ao mercado, deve haver, além de estratégias de marketing bem planejadas, um processo de entrega de valor ao consumidor.
Não fossem os meninos de Liverpool tão talentosos, e não tivessem sido guiados por profissionais sensíveis e pragmáticos ao mesmo tempo, pouco provável seria a manutenção deste fenômeno por tanto tempo.
Ver matéria completa no Portal Exame http://portalexame.abril.com.br disponível em 07/10/2009.
Quando vários teóricos procuram oferecer fórmulas para que as empresas consigam perpetuar sua marca no mercado, através de uma literatura imediatista e pontual, as fórmulas adotadas pelos gestores da marca Beatles, “tão contemporâneas quanto o disco de vinil” se mostram ainda eficientes e eficazes.
O portal Exame publicou em 07/10/09 com o sugestivo título “A construção de uma marca eterna”, um artigo tratando do fenômeno representado pela marca Beatles.
O recente lançamento das versões remasterizadas dos 14 álbuns do grupo Inglês provocou uma verdadeira euforia no mercado fonográfico mundial. Vários recordes foram batidos, inclusive alguns inimagináveis, como a colocação de 5 dos seus álbuns entre os 10 mais vendidos do ano no ranking da Billboard. O recorde anterior era de Michael Jackson, com 3 entre os 10 mais vendidos.
Foram vendidos em 5 dias, 2,3 milhões de cópias dos CDs e, simultaneamente, ao lançamento dos CDs, a MTV e a Viacom lançaram o Beatles Rock Band, um videogame que em apenas 1 semana entrou para o grupo dos 5 jogos mais vendidos nos EUA, Europa e Japão.
Qual o segredo desta longevidade da marca, com o vigor mercadológico apresentado?
Um controle rigoroso da imagem da marca Beatles pelos detentores dos seus direitos pode ser uma das explicações mais tangíveis.
Ou como bem qualifica o artigo do portal Exame; “Há muito marketing – bom marketing – por trás da marca Beatles”.
O artigo continua esclarecendo:
“Uma das táticas para preservar sua mística é manter longos hiatos entre cada leva de lançamentos de produtos que recebem a grife. Desde que os quatro músicos se separaram em 1970, houve apenas quatro grandes “ondas”. Em 1987 lançaram seus álbuns em CD – depois que as outras grandes bandas, como Rolling Stones e Pink Floyd já haviam feito a digitalização de suas músicas. O segundo grande lançamento só veio em 1995. Batizado de Anthology, o projeto reuniu os ex-intergrantes Paul McCartney, Ringo Star e George Harrison para gravação de três álbuns com músicas inéditas deixadas por John Lennon, assassinado 15 anos antes. Em 2000, lançaram o álbum Beatles 1, a primeira coletânea de grandes sucessos do grupo. A procura foi tão grande que o CD entrou para o Guinness Book como o álbum que vendeu mais cópias no menor espaço de tempo em toda a história: 13,5 milhões de cópias no primeiro mês”.
O que se percebe é que existe uma renovação constante de fãs dos Beatles.
Pesquisa da Pew Research Institute nos EUA, empresa especializada em comportamento, mostrou que os Beatles estão entre as quatro bandas favoritas de grupos de pessoas de todas as faixas etárias. E o que é mais interessante, a pesquisa também constatou que os Beatles estão em segundo lugar entre os astros pop mais admirados por jovens de 16 a 25 anos, logo atrás de Michael Jackson.
Mas administrar uma marca tão preciosa é como cuidar da galinha dos ovos de ouro.
O artigo do Portal Exame destaca ainda que este intervalo entre os lançamentos não é somente estratégico. Existem outros fatores contribuindo de forma menos nobre.
O americano Bill Stainton, autor de um livro ( 5 Best Decisions the Beatles Ever Made) que fala sobre o modelo de negócios da banda, aponta a complexa rede de autorizações necessárias para o fechamento de cada contrato como fator decisivo na velocidade dos lançamentos.
“Além dos ex-Beatles e de seus herdeiros, executivos da Sony/ATV (dona do catálogo com as músicas da banda) e da EMI ( que detém o direito de distribuição dos álbuns) precisam avaliar cada proposta. É muita gente para entrar em acordo, diz Stainton.
Para que as decisões desse grupo sejam respeitadas, foi preciso criar uma rede de proteção, com severas restrições ao uso da marca e uma afiada equipe de advogados”.
As restrições englobam fatores tais como:
Não é permitida a inclusão de músicas da banda em coletâneas com outros artistas;
A marca não pode ser vinculada a campanhas comerciais de produtos que não os dos próprios Beatles;
São vetadas promoções com os discos da banda – até hoje eles são vendidos com preços de álbuns novos.
Garantir que a marca esteja protegida ante a voracidade das empresas que procuram capitalizar para si um pouco do carisma dos Beatles já provocou longas batalhas judiciais.
A Nike em 1987 foi processada pela banda por utilizar a música Revolution num comercial de TV. Os ex-integrantes não foram consultados e cobraram 15 milhões de dólares já Justiça. O comercial saiu do ar e chegou-se a um acordo sem que o valor tenha sido revelado.
Em 1976, Steve Jobs batizou sua empresa com o nome Apple, que havia sido usado pelos Beatles, 8 anos antes, para nomear sua empresa a Apple Corps. Depois de 25 anos de briga o caso foi resolvido. Na época noticiou-se que Steve Jobs desembolsou mais de 500 milhões de dólares.
Num resumo desta obra, podemos entender que as fórmulas mirabolantes adotadas pelos marketeiros de plantão, visando perpetuar uma marca através de sua imagem percebida, podem não passar de mera retórica. Por trás de uma marca que quer ser percebida de forma positiva junto ao mercado, deve haver, além de estratégias de marketing bem planejadas, um processo de entrega de valor ao consumidor.
Não fossem os meninos de Liverpool tão talentosos, e não tivessem sido guiados por profissionais sensíveis e pragmáticos ao mesmo tempo, pouco provável seria a manutenção deste fenômeno por tanto tempo.
Ver matéria completa no Portal Exame http://portalexame.abril.com.br disponível em 07/10/2009.
A imagem da Disney e a globalização do entretenimento
Há tempos as empresas com atuação global vêm percebendo, às vezes até sem muito jeito, que cultura não se enfia “goela abaixo”, principalmente nos países emergentes. No passado, personagens como Mickey Mouse, Pateta, Tio Patinhas ou Pato Donald povoavam a mente de crianças no Brasil e no mundo, com suas peripécias fundadas numa cultura colonialista norte-americana que nada tinha a ver com a realidade destes países.
Mas como disse sabiamente o poeta, “nossos heróis morreram de overdose”.
Em matéria divulgada pelo Portal Exame em maio de 2008, a Disney, assim como todas as grandes empresas globais, passou a dar maior atenção aos mercados emergentes. Seu principal executivo, Robert Iger já declarou algumas vezes que é preciso equilibrar investimentos entre os mercados mais maduros e países como Rússia, Índia, China e Brasil.
Neste rumo, a Disney tem apostado na criação e na adaptação de séries e filmes para mercados regionais, produzidas em parceria com produtoras locais. Exemplos como as versões da série High School Musical
são preparadas no México, Argentina e Brasil.
Mas mais do que isto, a interpretação da cultura local, do modo de vida das populações, costumes, ritos, imaginário popular e, principalmente, heróis locais têm favorecido o surgimento de novos filmes. A Disney conquistou a China com um filme sobre uma abóbora (The Magic Gourd – A Abóbora Mágica), baseado em um conto chinês e falado em mandarim. Este filme chinês é o exemplo mais bem acabado do esforço da Disney para expandir suas fronteiras e, ao mesmo tempo, trocar sua filosofia de colaboração com a imposição da cultura norte-americana pelos lucros aos seus acionistas.
Aliás, durante as últimas 3 três décadas, os tentáculos das grandes empresas americanas têm mostrado certa fragilidade, reflexo do fim da guerra fria (antes era preciso estar deste ou daquele lado da política), do desenvolvimento acelerado e da democratização das comunicações, bem como da emancipação econômica e algumas vezes, política dos países do BRIC, além de outros menos populosos.
Garantir uma imagem de empresa séria e honesta, com missão e valores a serem seguidos e difundidos pelo mundo todo agora, passa pela compreensão de que cada lugar tem seu lugar na história. Não é muito sadio, ultimamente, querer impor estereótipos da cultura americana ou de qualquer outra, sem nenhuma identificação com a sociedade e cultura dos países onde atuam.
A mesma reportagem do Portal Exame de maio de 2008, credita a Robert Iger (que assumiu a presidência da Disney em 2005) a responsabilidade pela readequação da marca. Sob sua liderança, a Disney ultrapassou as fronteiras do público infantil e avançou sobre a pré-adolescência. Boa parte do novo impulso criativo da Disney se deve a uma injeção do mesmo tipo de cultura que transformou a Apple em uma usina de inovação.
Em 2006, a Disney comprou a Pixar, estúdio de animação criado por Steve Jobs (fundador da Apple). Neste caso, a cultura da empresa comprada se infiltrou e se sobrepôs à cultura da compradora. Tanto que a Pixar é hoje a maior referência em animação digital, seja em excelência técnica, seja em criatividade. John Lasseter, vice-presidente executivo da Pixar, considerado a maior força inspiradora por trás das produções do estúdio, assumiu o cargo de executivo-chefe para a área de criação de toda a divisão de animação do conglomerado Disney e passou a acumular o posto de conselheiro criativo da Disney Imagineering, empresa que projeta as atrações dos parques temáticos da Disney.
Neste tempo de mudanças, parques que estavam em precário estado de conservação (como a Disneylândia, no estado da Califórnia) e eram alvos de protestos pela Internet, fazendo feridas na imagem da Disney, ganharam brinquedos inspirados em filmes da Pixar como Toy Story e Procurando Nemo, grandes sucessos do cinema.
Mas chegamos em novembro de 2009 e muitas coisas parece que estão em constante mudança nas empresas Disney. Notícia do New York Times dá conta de que Mickey Mouse, criado por Walt Disney várias décadas atrás, e que rende cerca de 5 bilhões de dólares à empresa, deve mudar de personalidade. A máxima de que em time que está ganhando não se mexe pode estar com os dias contados.
Mas a personalidade dos personagens Disney que sempre deram o tom para a imagem da marca não está mais agradando?
Os 5 bilhões de dólares auferidos com o velho ratinho não são suficientes?
Parece mesmo que não. O primeiro passo nesta mudança poderá ser visto no jogo Epic Mickey, que será lançado no ano que vem. Ali, o personagem vai mostrar seus momentos de mau humor e outros em que banca o espertalhão. Uma imagem bem diferente daquela que acalentou sonhos e povoou o imaginário de muitas crianças desde que foi criado.
A repercussão do jogo vai determinar o futuro do personagem. Se ele for bem recebido, a Disney pretende mudar desde o conceito da linha de produtos do Mickey até a exposição que o ratinho tem nos parques temáticos espalhados pelo mundo.
Será uma adaptação sociológica onde a violência parece estar sendo mais cultuada que o bom comportamento?
E como fica a imagem das empresas Disney?
Lógico que temos os personagens nada éticos que circundavam as histórias do grande herói Mickey Mouse, mas levar este herói para o outro lado não poderá ser um grande tiro no pé para as empresas Disney?
Num momento em que muitos se esforçam para manter uma imagem de boa reputação diante do público consumidor através de um comportamento responsável diante da sociedade, o que pode acontecer com a imagem de um modelo de entretenimento com o qual os pais sempre fizeram questão de premiar as notas boas dos filhos?
Pode parecer uma mudança insignificante em termos de adequação do produto ao mercado, mas vai exigir um grande monitoramento por parte da Disney, que possa detectar quaisquer reações adversas no seu ticket médio de visitas aos parques temáticos.
A imagem da Disney, queiram ou não, está extremamente ligada a imagem dos seus principais personagens dos quais o Mickey Mouse é o grande carro chefe. Afinal, não é ele quem abre os desfiles dos parques, recebendo os visitantes com todo o carisma que conquistou ao longo de todos estes anos?
Fonte:
http://portalexame.abril.com.br/blogs/cristianecorrea/listar2.shtml http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0918/marketing/m0159327.html
Mas como disse sabiamente o poeta, “nossos heróis morreram de overdose”.
Em matéria divulgada pelo Portal Exame em maio de 2008, a Disney, assim como todas as grandes empresas globais, passou a dar maior atenção aos mercados emergentes. Seu principal executivo, Robert Iger já declarou algumas vezes que é preciso equilibrar investimentos entre os mercados mais maduros e países como Rússia, Índia, China e Brasil.
Neste rumo, a Disney tem apostado na criação e na adaptação de séries e filmes para mercados regionais, produzidas em parceria com produtoras locais. Exemplos como as versões da série High School Musical
são preparadas no México, Argentina e Brasil.
Mas mais do que isto, a interpretação da cultura local, do modo de vida das populações, costumes, ritos, imaginário popular e, principalmente, heróis locais têm favorecido o surgimento de novos filmes. A Disney conquistou a China com um filme sobre uma abóbora (The Magic Gourd – A Abóbora Mágica), baseado em um conto chinês e falado em mandarim. Este filme chinês é o exemplo mais bem acabado do esforço da Disney para expandir suas fronteiras e, ao mesmo tempo, trocar sua filosofia de colaboração com a imposição da cultura norte-americana pelos lucros aos seus acionistas.
Aliás, durante as últimas 3 três décadas, os tentáculos das grandes empresas americanas têm mostrado certa fragilidade, reflexo do fim da guerra fria (antes era preciso estar deste ou daquele lado da política), do desenvolvimento acelerado e da democratização das comunicações, bem como da emancipação econômica e algumas vezes, política dos países do BRIC, além de outros menos populosos.
Garantir uma imagem de empresa séria e honesta, com missão e valores a serem seguidos e difundidos pelo mundo todo agora, passa pela compreensão de que cada lugar tem seu lugar na história. Não é muito sadio, ultimamente, querer impor estereótipos da cultura americana ou de qualquer outra, sem nenhuma identificação com a sociedade e cultura dos países onde atuam.
A mesma reportagem do Portal Exame de maio de 2008, credita a Robert Iger (que assumiu a presidência da Disney em 2005) a responsabilidade pela readequação da marca. Sob sua liderança, a Disney ultrapassou as fronteiras do público infantil e avançou sobre a pré-adolescência. Boa parte do novo impulso criativo da Disney se deve a uma injeção do mesmo tipo de cultura que transformou a Apple em uma usina de inovação.
Em 2006, a Disney comprou a Pixar, estúdio de animação criado por Steve Jobs (fundador da Apple). Neste caso, a cultura da empresa comprada se infiltrou e se sobrepôs à cultura da compradora. Tanto que a Pixar é hoje a maior referência em animação digital, seja em excelência técnica, seja em criatividade. John Lasseter, vice-presidente executivo da Pixar, considerado a maior força inspiradora por trás das produções do estúdio, assumiu o cargo de executivo-chefe para a área de criação de toda a divisão de animação do conglomerado Disney e passou a acumular o posto de conselheiro criativo da Disney Imagineering, empresa que projeta as atrações dos parques temáticos da Disney.
Neste tempo de mudanças, parques que estavam em precário estado de conservação (como a Disneylândia, no estado da Califórnia) e eram alvos de protestos pela Internet, fazendo feridas na imagem da Disney, ganharam brinquedos inspirados em filmes da Pixar como Toy Story e Procurando Nemo, grandes sucessos do cinema.
Mas chegamos em novembro de 2009 e muitas coisas parece que estão em constante mudança nas empresas Disney. Notícia do New York Times dá conta de que Mickey Mouse, criado por Walt Disney várias décadas atrás, e que rende cerca de 5 bilhões de dólares à empresa, deve mudar de personalidade. A máxima de que em time que está ganhando não se mexe pode estar com os dias contados.
Mas a personalidade dos personagens Disney que sempre deram o tom para a imagem da marca não está mais agradando?
Os 5 bilhões de dólares auferidos com o velho ratinho não são suficientes?
Parece mesmo que não. O primeiro passo nesta mudança poderá ser visto no jogo Epic Mickey, que será lançado no ano que vem. Ali, o personagem vai mostrar seus momentos de mau humor e outros em que banca o espertalhão. Uma imagem bem diferente daquela que acalentou sonhos e povoou o imaginário de muitas crianças desde que foi criado.
A repercussão do jogo vai determinar o futuro do personagem. Se ele for bem recebido, a Disney pretende mudar desde o conceito da linha de produtos do Mickey até a exposição que o ratinho tem nos parques temáticos espalhados pelo mundo.
Será uma adaptação sociológica onde a violência parece estar sendo mais cultuada que o bom comportamento?
E como fica a imagem das empresas Disney?
Lógico que temos os personagens nada éticos que circundavam as histórias do grande herói Mickey Mouse, mas levar este herói para o outro lado não poderá ser um grande tiro no pé para as empresas Disney?
Num momento em que muitos se esforçam para manter uma imagem de boa reputação diante do público consumidor através de um comportamento responsável diante da sociedade, o que pode acontecer com a imagem de um modelo de entretenimento com o qual os pais sempre fizeram questão de premiar as notas boas dos filhos?
Pode parecer uma mudança insignificante em termos de adequação do produto ao mercado, mas vai exigir um grande monitoramento por parte da Disney, que possa detectar quaisquer reações adversas no seu ticket médio de visitas aos parques temáticos.
A imagem da Disney, queiram ou não, está extremamente ligada a imagem dos seus principais personagens dos quais o Mickey Mouse é o grande carro chefe. Afinal, não é ele quem abre os desfiles dos parques, recebendo os visitantes com todo o carisma que conquistou ao longo de todos estes anos?
Fonte:
http://portalexame.abril.com.br/blogs/cristianecorrea/listar2.shtml http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0918/marketing/m0159327.html
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Contradições da Comunicação.
A comunicação é uma área de estudo repleta de surpresas e contradições. Atualmente, tem primado por uma de suas funções executivas das mais discutidas que é de instrumento de marketing. Mas, como deixei claro, esta é somente uma de suas funções que geralmente fica sob a responsabilidade da Publicidade e Propaganda e, em menor escala, das Relações Públicas e com esta configuração todos nós já estamos acostumados. Mas a função que cabe ao Jornalismo passa por um momento delicado na midia brasileira. Polêmicas sobre a obrigatoriedade de se ter um diploma para exercer a profissão já foram discutidas por acadêmicos de respeito, profissionais de respeito e, até, "políticos de respeito". Fui obrigado e deixar entre aspas para não parecer hipócrita.
Em função desta discussão, quero levantar um ponto que me parece extremamente relevante.
Nosso sistema capitalista pressupõe uma liberdade de expressão, garantida pela nossa constituição federal, que oferece ao Jornalismo a rara oportunidade de proporcionar aos leitores, ouvintes e tele-espectadores informações imparciais, livres da influência de patrocinadores principalmente quando os assuntos são de interesse público.
E ai que mora a contradição. Hoje (18/02/2011), assistindo o programa Globo Esporte no horário do almoço, acabei de me conscientizar que matérias jornalísticas são usadas como instrumento de marketing pela Rede Globo, de forma acintosa e sem nenhum escrúpulo. Pois então, que tomem logo partido, declarem sua preferência por este ou aquele clube mas não finjam serem imparciais. Há muito que notícias sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras não têm a devida atenção editorial daquela emissora, ao contrário de notícias sem a menor importância sobre o Sport Club Corinthians Paulista ou sobre o São Paulo Futebol Clube que nos cansam a paciência e são tratadas como "grandes furos de reportagem".
O que causou espanto é o fato de que não se fala quase nada sobre o Palmeiras nunca, nem mesmo quanto existe uma pauta tão importante quanto a reformulação do pré-contrato do Maikon Leite em bases estratosféricas no que tange às eventuais multas aplicadas caso queiram levar o atleta para outro clube.
Mas isto é só uma pontinha do iceberg. Ontem, ouvindo pela rádio CBN que é dá própria Rede Globo a transmissão da partida entre o Corinthians e o Mogi, o locutor Deva Pascovicci, tomando partido descaradamente a favor do Corinthians sem a menor cerimônia dizia que é fato que eles vão ultrapassar o Palmeiras na liderança do Paulistão na próxima semana.
Entendo que um veículo de comunicação que se mostra imparcial ao público deve manter total isenção ao comentar os fatos sem tendenciosidades ou favorecimentos. E não é o que acontece na CBN. Se são todos pró Corinthians, que divulguem isto em alto e bom tom para que as demais torcidas possam ter a liberadade de NÃO MAIS SINTONIZAR tal emissora, cujo locutor narra ficção enquanto ocorre em campo uma realidade totalmente diferente.
Pois fica aqui um desabafo de um Palmeirense que sabe respeitar um jornalista como Juca Kfouri, declaradamente corinthiano mas senhor de um bom senso especial, que comenta com o coração sem deixar que a razão seja totalmente aniquilada pelo valor dos anúncios dos patrocinadores veiculados pela sua emissora.
Em função desta discussão, quero levantar um ponto que me parece extremamente relevante.
Nosso sistema capitalista pressupõe uma liberdade de expressão, garantida pela nossa constituição federal, que oferece ao Jornalismo a rara oportunidade de proporcionar aos leitores, ouvintes e tele-espectadores informações imparciais, livres da influência de patrocinadores principalmente quando os assuntos são de interesse público.
E ai que mora a contradição. Hoje (18/02/2011), assistindo o programa Globo Esporte no horário do almoço, acabei de me conscientizar que matérias jornalísticas são usadas como instrumento de marketing pela Rede Globo, de forma acintosa e sem nenhum escrúpulo. Pois então, que tomem logo partido, declarem sua preferência por este ou aquele clube mas não finjam serem imparciais. Há muito que notícias sobre a Sociedade Esportiva Palmeiras não têm a devida atenção editorial daquela emissora, ao contrário de notícias sem a menor importância sobre o Sport Club Corinthians Paulista ou sobre o São Paulo Futebol Clube que nos cansam a paciência e são tratadas como "grandes furos de reportagem".
O que causou espanto é o fato de que não se fala quase nada sobre o Palmeiras nunca, nem mesmo quanto existe uma pauta tão importante quanto a reformulação do pré-contrato do Maikon Leite em bases estratosféricas no que tange às eventuais multas aplicadas caso queiram levar o atleta para outro clube.
Mas isto é só uma pontinha do iceberg. Ontem, ouvindo pela rádio CBN que é dá própria Rede Globo a transmissão da partida entre o Corinthians e o Mogi, o locutor Deva Pascovicci, tomando partido descaradamente a favor do Corinthians sem a menor cerimônia dizia que é fato que eles vão ultrapassar o Palmeiras na liderança do Paulistão na próxima semana.
Entendo que um veículo de comunicação que se mostra imparcial ao público deve manter total isenção ao comentar os fatos sem tendenciosidades ou favorecimentos. E não é o que acontece na CBN. Se são todos pró Corinthians, que divulguem isto em alto e bom tom para que as demais torcidas possam ter a liberadade de NÃO MAIS SINTONIZAR tal emissora, cujo locutor narra ficção enquanto ocorre em campo uma realidade totalmente diferente.
Pois fica aqui um desabafo de um Palmeirense que sabe respeitar um jornalista como Juca Kfouri, declaradamente corinthiano mas senhor de um bom senso especial, que comenta com o coração sem deixar que a razão seja totalmente aniquilada pelo valor dos anúncios dos patrocinadores veiculados pela sua emissora.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Quem pode falar mal das novas gerações?
Acabo de ler um artigo indicado pelo twitter do Sidnei Oliveira sobre a Geração Y. Muito curioso o fato de que os integrantes da Geração Y (nascidos entre 1980 e 1995 aproximadamente) sempre se referem a si próprios como multi-atarefados. Analisar o comportamento destes jovens vem sendo uma rotina da minha vida, pois estou escrevendo minha dissertação de mestrado justamente sobre eles. Mas eu não acho que são jovens multi-atarefados como alguns acreditam. Eles iniciam várias atividades ao mesmo tempo, porém, nem sempre as terminam. Fato a ser pesquisado para enriquecer minhas reflexões a respeito.
Os estudos que estão sendo realizados por vários executivos, interessados em compreender o comportamento dos jovens da chamada Geração Y, ainda não chegaram às livrarias em forma de trabalhos científicos. Principalmente os profissionais de Recursos Humanos têm escrito milhares de artigos sobre a Geração Y, seu comportamento diante de estruturas hierarquizadas, suas habilidades multifuncionais e sua independência em relação às tradições.
O comportamento desta Geração Y em relação ao consumo também vem sendo investigado através de pesquisas realizadas principalmente por agências de Propaganda que, antes de qualquer coisa, precisam saber muito bem como pensa, idealiza e se comporta seu público-alvo.
A principal característica destes jovens é o fato de terem nascido e se desenvolvido juntamente com as atuais vedetes da comunicação, ou seja, a Internet, o telefone celular, os iPod’s, os jogos eletrônicos, permitindo um estado de conexão e interatividade permanente e irreversível.
Desta forma, continuo com minha pesquisa tentando entender alguns aspectos que sejam relevantes e possam ser evidenciados sobre a Geração Y.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A POLÍTICA É COISA SÉRIA, O POVO NÃO!
O Brasil acabou de eleger a primeira presidente mulher.
Fico muito feliz por isso, se bem que preferia a Marina, mas, o que fazer? Nada pode ser feito agora.
Estive pensando, se o nosso digníssimo presidente Lula tivesse mesmo toda a boa intenção que apregoa aos quatro cantos, sua candidata natural seria a Marina, companheira de longas batalhas, mulher do povo que lutou muito para não ficar na ignorância.
Mas, o que fazer? Nada pode ser feito agora.
Durante a campanha do tucano Serra, muitos e-mails foram disparados tentando mostrar ao povo que com a Sra. Dilma viriam também as eminências pardas do PT como José Dirceu, Genoino, Gushiken, Delúbio Soares e até Marcos Valério. Nos programas eleitorais a Sra. Dilma e seus marketeiros nunca desmentiram estas afirmações, pois, quando pressionados por elas, faziam como ensinou nosso digníssimo presidente Lula:
___ Ora, não sei de nada. Não vi nada. Não ouvi nada. Sou cego, surdo e mudo.
Pois bem, ontem (03/11), exatamente 3 dias após a divulgação da vitória da Sra. Dilma, ouvi uma entrevista do José Dirceu na rádio Bandeirantes, no programa do Datena. Até então, nenhuma palavra eu tinha ouvido deste senhor. Nesta entrevista ele deixa claro que sempre esteve nas sombras do poder, mesmo afastado pelas "suspeitas" de corrupção. Disse em alto e bom tom, protegido pelos mais de 50 milhões de votos da Sra. Dilma, que estará com ela procurando soluções para o país.
Oras-Bolas, o governo do Sr. Lula já não estava no caminho certo? Bem, isto é para quem puder ler este blog refletir bastante.
Mas o fato intrigante foi confirmar que aqueles tais e-mails que denunciavam esta aproximação não eram caluniosos, pelo contrário, eram elucidadores. Aos que deram crédito a eles, que foram também mais de 40 milhões de brasileiros, agora resta um trabalho dobrado no legislativo e no judiciário para impedir que aqueles sultões do PT se apoderem novamente do país.
Mas ouvi também da Sra. Dilma, agora que saiu vencedora do pleito, que uma das suas armas para continuar a "amparar" os pobres do Brasil pode ser a volta da CPMF. Por que será que ela não disse isto durante a campanha?
Reflitam então amigos.
Mas isto tudo é somente a ponta do iceberg. Muito mais virá nestes próximos meses e no primeiro semestre de governo da Sra. Dilma.
A considerar estes fatos, podemos concluir que para o PT, a política é coisa séria. Muito séria. Já o povo não. Qualquer bolsa família compra votos, assim como as antigas camisetas do Sr. Maluf comprava no passado. Mas com uma vantagem. A tal bolsa família sai dos cofres públicos, ou seja, o partido nada gasta como antes gastava o Sr. Maluf com estamparia, distribuição, etc.
Aguardemos novas investidas sobre o povo.
Pelo menos enquanto puder existir algum meio de comunicação livre que, apesar da retórica da Sra. Dilma, está com os dias contados!
Fico muito feliz por isso, se bem que preferia a Marina, mas, o que fazer? Nada pode ser feito agora.
Estive pensando, se o nosso digníssimo presidente Lula tivesse mesmo toda a boa intenção que apregoa aos quatro cantos, sua candidata natural seria a Marina, companheira de longas batalhas, mulher do povo que lutou muito para não ficar na ignorância.
Mas, o que fazer? Nada pode ser feito agora.
Durante a campanha do tucano Serra, muitos e-mails foram disparados tentando mostrar ao povo que com a Sra. Dilma viriam também as eminências pardas do PT como José Dirceu, Genoino, Gushiken, Delúbio Soares e até Marcos Valério. Nos programas eleitorais a Sra. Dilma e seus marketeiros nunca desmentiram estas afirmações, pois, quando pressionados por elas, faziam como ensinou nosso digníssimo presidente Lula:
___ Ora, não sei de nada. Não vi nada. Não ouvi nada. Sou cego, surdo e mudo.
Pois bem, ontem (03/11), exatamente 3 dias após a divulgação da vitória da Sra. Dilma, ouvi uma entrevista do José Dirceu na rádio Bandeirantes, no programa do Datena. Até então, nenhuma palavra eu tinha ouvido deste senhor. Nesta entrevista ele deixa claro que sempre esteve nas sombras do poder, mesmo afastado pelas "suspeitas" de corrupção. Disse em alto e bom tom, protegido pelos mais de 50 milhões de votos da Sra. Dilma, que estará com ela procurando soluções para o país.
Oras-Bolas, o governo do Sr. Lula já não estava no caminho certo? Bem, isto é para quem puder ler este blog refletir bastante.
Mas o fato intrigante foi confirmar que aqueles tais e-mails que denunciavam esta aproximação não eram caluniosos, pelo contrário, eram elucidadores. Aos que deram crédito a eles, que foram também mais de 40 milhões de brasileiros, agora resta um trabalho dobrado no legislativo e no judiciário para impedir que aqueles sultões do PT se apoderem novamente do país.
Mas ouvi também da Sra. Dilma, agora que saiu vencedora do pleito, que uma das suas armas para continuar a "amparar" os pobres do Brasil pode ser a volta da CPMF. Por que será que ela não disse isto durante a campanha?
Reflitam então amigos.
Mas isto tudo é somente a ponta do iceberg. Muito mais virá nestes próximos meses e no primeiro semestre de governo da Sra. Dilma.
A considerar estes fatos, podemos concluir que para o PT, a política é coisa séria. Muito séria. Já o povo não. Qualquer bolsa família compra votos, assim como as antigas camisetas do Sr. Maluf comprava no passado. Mas com uma vantagem. A tal bolsa família sai dos cofres públicos, ou seja, o partido nada gasta como antes gastava o Sr. Maluf com estamparia, distribuição, etc.
Aguardemos novas investidas sobre o povo.
Pelo menos enquanto puder existir algum meio de comunicação livre que, apesar da retórica da Sra. Dilma, está com os dias contados!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A tortura da Santa Casa continua...
Amigos, amanhã completará 3 meses do acidente que vitimou minha mãe no trânsito e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pois, cair lá é um acidente grave mesmo.
Além de tudo que narrei na primeira postagem e na segunda, agora quero dizer o que vem ocorrendo em consequência do péssimo atentimento que ela recebeu naquele "projeto" de Pronto Socorro.
Um ferimento que havia na perna esquerda, arruinou de tal forma que ela já foi internada 3 vezes no hospital do Mandaqui e quase que passou por uma cirurgia. As dores são insuportáveis e há 3 meses minha mãe toma remédios muito fortes para tentar amenizar o sofrimento. A ferida que, por não ter tido nenhum tipo de assepsia durante aquelas mais de 30 horas que ela ficou na Santa Casa, provavelmente propiciou a infecção por bactérias residentes naquela pocilga que não cicatriza.
Sem contar a despesa que uma aposentada de 82 anos tem que ter com curativos diários; já foram feitos mais de 90 curativos com todo material comprado por ela mesma.
Eu disse que a resposta da Santa Casa à minha primeira postagem dizia que eles fariam uma sindicância e entrariam em contato para nos posicionar. Pois bem, entraram em contato para oferecer os serviços daquele mesmo local deplorável e mais nada. Até agora, aquele médico arrogante e seus seguidores continuam a humilhar, maltratar e agravar as condições dos incáutos que precisam deles.
Mas vou continuar a protestar. E estou pensando em contratar um advogado público para buscar os direitos da minha mãe.
Eu volto a carga brevemente.
Além de tudo que narrei na primeira postagem e na segunda, agora quero dizer o que vem ocorrendo em consequência do péssimo atentimento que ela recebeu naquele "projeto" de Pronto Socorro.
Um ferimento que havia na perna esquerda, arruinou de tal forma que ela já foi internada 3 vezes no hospital do Mandaqui e quase que passou por uma cirurgia. As dores são insuportáveis e há 3 meses minha mãe toma remédios muito fortes para tentar amenizar o sofrimento. A ferida que, por não ter tido nenhum tipo de assepsia durante aquelas mais de 30 horas que ela ficou na Santa Casa, provavelmente propiciou a infecção por bactérias residentes naquela pocilga que não cicatriza.
Sem contar a despesa que uma aposentada de 82 anos tem que ter com curativos diários; já foram feitos mais de 90 curativos com todo material comprado por ela mesma.
Eu disse que a resposta da Santa Casa à minha primeira postagem dizia que eles fariam uma sindicância e entrariam em contato para nos posicionar. Pois bem, entraram em contato para oferecer os serviços daquele mesmo local deplorável e mais nada. Até agora, aquele médico arrogante e seus seguidores continuam a humilhar, maltratar e agravar as condições dos incáutos que precisam deles.
Mas vou continuar a protestar. E estou pensando em contratar um advogado público para buscar os direitos da minha mãe.
Eu volto a carga brevemente.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Misericórdia para a Santa Casa
E não é que a assessoria de imprensa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo me respondeu ao e-mail que enviei com o artigo aqui publicado!!!!
Disseram que vão fazer uma sindicância e quando tiverem as informações, entram em contato.
Mas a situação está bem pior.
Os ferimentos que minha mãe tinha nas pernas e nos braços, frutos da queda no asfalto, sequer foram limpos naquela oportunidade. Eu falei com um enfermeiro sobre a necessidade de limpar a ferida da perna que estava muito feia, mas ele disse que o médico precisava autorizar. Enfim, ninguém tomou conhecimento.
Resultado; a perna dela está infeccionada, gerando uma dor muito forte.
Levamos no P.S. e eles fizeram um curativo e o médico receitou 2 antibióticos, pois tem medo que fique pior.
Eles da Santa Casa, sabiam que ela era diabética e que a cicratização seria difícil, mas mesmo assim nada fizeram.
Irresponsabilidade ou Incompetência?
Talvez um pouco das duas inabilidades.
Vamos continuar na luta para tornar público esta instituição que não sabe honrar sua vocação.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A Santa Casa que precisa de Misericórdia
No último dia 19 de outubro de 2009, minha mãe, uma senhora com 82 anos foi vítima de atropelamento na Av. Eng. Caetano Álvares, no Mandaqui.
Socorrida pelo SAMU, foi levada ao Pronto Socorro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo aproximadamente às 15 horas, onde teve os primeiros atendimentos.
Uma mulher forte e batalhadora, trabalhou em casa e fora dela por muitos e muitos anos para ajudar no sustento da família, tendo criado 4 filhos e muitos netos, assim como muitas outras mulheres idosas deste nosso país de desigualdades e falta de políticas públicas coerentes e decentes.
O acidente provocou sua queda no asfalto, ferindo seu braço direito e sua perna esquerda. Também bateu com a cabeça na guia o que provocou um inchaço considerável.
Os médicos plantonistas da Santa Casa (havia muitos de jalecos brancos com inscrição Dr. Fulano, Dra. Cicrana) examinaram e para formar seu diagnóstico mais preciso, solicitaram radiografias e uma tomografia da cabeça.
Então começou o martírio da minha mãe.
As radiografias foram tiradas, não sem antes minha irmã insistir muito com o pessoal do P.S. Após a análise das radiografias, que não apresentavam anormalidades, os médicos disseram que era preciso aguardar a tomografia para então, depois do parecer dos médicos especialistas, avaliarem se ela teria ou não alta.
Durante esta longa noite, esta idosa de 82 anos permaneceu numa maca dura e suja, no corredor do P.S., tomando um coquetel de medicamentos via intra-venosa que incluía glicose, mesmo constando no prontuário que era diabética e hipertensa.
Bem, o diabetes subiu para quase 300 e aplicaram insulina como deve mandar os protocolos padrões. Depois de 2 horas aproximadamente, e somente após nossa insistência para que eles verificassem novamente o nível do diabetes, o resultado foi 72.
Esta queda brusca fez com que ela começasse a suar muito e sentir calafrios, reação típica do processo de hipoglicemia. Procuramos alguém que pudesse fazer alguma coisa, mas, inacreditavelmente, diante de tantos jalecos brancos, ninguém podia ajudar.
Os argumentos eram os mais diversos:
Médicos:
___ Sou clínico, precisa falar com o pessoal da cirurgia. Da cirurgia não tinha ninguém naquela hora.
Enfermeiros:
___ Não sou desta área, fale com alguém desta área. Daquela área não havia nenhum enfermeiro naquele momento.
Passaram-se quase 1 hora até que alguém resolveu chamar uma médica que providenciou uma injeção de glicose para equilibrar o nível do açúcar.
Por sinal, esta médica foi a única pessoa atenciosa que encontramos na Santa Casa nesta madrugada do dia 20 de outubro e por isso faço questão de destacar o nome da Dra. Ana Paula.
Pois bem, isso tudo ocorria enquanto aguardávamos a tal tomografia.
Indagamos o porquê da demora e a resposta foi a seguinte:
___Já pedimos mas o pessoal da Tomo ainda não chamou. São eles que controlam.
Ora, quem sabe da urgência é ou não o médico?
Justificavam dizendo que, como minha mãe estava bem, passavam casos mais graves na frente.
Estava bem até quando? Estável significa bem? Não entendo o jargão médico mas não sou tão ignorante quanto eles imaginavam.
Ponderamos o fato de ela ter 82 anos, diabética e hipertensa, mas nossos argumentos não foram considerados.
Enfim 6 horas da manhã do dia 20. Troca de turno dos médicos e enfermeiros então, um “sujeito” que me foi apontado como médico avaliador, foi consultado sobre a possibilidade dela ter alta sem a tomografia.
Conscienciosamente, vale a pena destacar, ele disse que deveríamos esperar a tomografia. Cansado também, por estar há mais de 8 horas em pé ao lado da maca da minha mãe, e por perceber a agonia dela com muitas dores na perna e no braço, perguntei-lhe se iria demorar mais tantas horas.
Com uma grossura ímpar o “sujeito” apontado como médico avaliador, bradou com o dedo em riste na minha direção:
___Não fala nada. Eu não vou ouvir nada do que vai dizer. Reclame com o pessoal daqui.
E saiu como se estivesse discutindo com adversários num campo de futebol depois de muitas cervejas.
Isto ocorreu na presença da Dra. Stephanie, que estava assumindo o turno.
Indignado, perguntei a ela o nome do “sujeito” e ela veementemente se recusou a fornecer, tomando uma atitude claramente corporativista. Mas foi justamente por ter percebido que aquela não era a atitude correta de um profissional da saúde em relação aos familiares de uma paciente que, por total incompetência da Santa Casa, estava há tanto tempo aguardando uma tomografia.
Passaram-se mais algumas horas e minha mãe sentiu necessidade de urinar, depois de tanto soro tomado. Neste momento ela estava acompanhada pelo meu sobrinho que pediu ajuda a vários enfermeiros e até médicos.
Pasmem, mas ninguém se prontificou em arranjar uma mísera “comadre” como chamam o urinol nos hospitais. E ela não agüentando se urinou na maca.
Cena dantesca para um hospital que se diz padrão em atendimento de idosos.
Como meu sobrinho ficou indignado e começou a reclamar, foi intimidado pelos seguranças do local.
Uma vergonha....
Enfim, depois de 20 horas finalmente a tomografia foi realizada. Agora era só o médico avaliar o exame para fornecer a Alta. Coisa simples, caso estivéssemos falando de um hospital, mas na Santa Casa de Misericórdia não. O médico somente deu uma olhada na tomografia depois de 5 horas que tinha sido realizada.
Há que se perguntar onde estão os erros;
Se nos profissionais que não são competentes como teriam a obrigação de ser;
Se na estrutura extremamente burocrática que beneficia os procedimentos em detrimento do ser humano;
Se na falta de recursos materiais para atender a demanda a que se propõe a Santa Casa.
Bem, o estatuto do idoso prevê no seu artigo 3:
Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e
privados prestadores de serviços à população;
Sem ser advogado, posso compreender que a Santa Casa não seguiu o que estabelece este artigo, pois em momento algum priorizou o atendimento à uma idosa de 82 anos nas condições tão incômodas e doloridas em que estava.
Ora, mas pra que seguir o estatuto. Ele só serve de plataforma eleitoeira.
Os idosos, diz o IBGE, estão cada vez mais sendo um contingente considerável da população brasileira. Como se os senhores médicos, enfermeiros, seguranças e diretores da Santa Casa estivessem neste mundo de meu Deus por geração espontânea. Ninguém tem mãe, pelo menos que precise de um hospital deste naipe.
Agora vamos analisar este caso à luz dos artigos 4º, 15º e 18º do Estatuto do Idoso;
Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência,
crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na
forma da lei.
Art. 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de
Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e
contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da
saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.
Art. 18. As instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento às
necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitação dos profissionais, assim
como orientação a cuidadores familiares e grupos de auto-ajuda
Que apelo deveríamos fazer aos administradores da “renomada” Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo?
Pelo menos que honrasse o que divulga no histórico da instituição pelo site oficial, como sendo sua missão:
A Missão da Irmandade é exercer a caridade e a misericórdia para o socorro e a assistência aos enfermos, idosos, inválidos e desamparados, prestando serviço de assistência à saúde buscando atingir a excelência no atendimento. O objetivo é ser uma Instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente pela assistência, ensino e pesquisa na área da saúde.
“Exercer a caridade... a idosos...buscando atingir a excelência no atendimento.”
Está muito longe de alcançar, se isto for mais do que simples retórica e estiver sendo encarado pela administração como filosofia de trabalho.
Em outro trecho do referido site, afirma:
A Santa Casa oferece atendimento voltado para a população em geral e dispõe de recursos avançados no campo tecnológico, além de formação profissional especializada.Tradicionalmente, transmite respeitabilidade aos seus usuários, firmando, cada vez mais, sua boa imagem na área hospitalar.
“dispõe de recursos avançados no campo tecnológico..”
Ou seja, uma idosa de 82 anos aguardou numa maca dura e suja por 20 horas para fazer uma simples tomografia da cabeça.
“formação profissional especializada.”
Ou seja, um médico avaliador arrogante, insensível e uma equipe de enfermeiros despreparada para lidar com seres humanos.
Seguindo no seu discurso fantasioso, apresenta sua sentença de morte:
“Pelo atendimento que oferece e por ser uma das instituições hospitalares que mais presta serviços ao SUS, a Santa Casa constitui-se em um dos maiores centros de referência médica nacional.”
Se para o Ministério da Saúde e para o Conselho Regional de Medicina os profissionais desta instituição são referência, vou procurar atendimento no Paraguai, pois lá, pelo menos, eles confessam que são “imitações baratas dos originais”.
Para fechar com chave de ouro o discurso do seu site, a Santa Casa arremata:
“Enfim, a missão da Santa Casa pode ser resumida em salvar vidas. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, todos os segundos, estamos sempre prontos para atender a quem nos procura, seja através dos nossos Prontos Socorros ou dos nossos Prontos Atendimentos.”
Salvar vidas passa por oferecer um tratamento digno e honesto aos pacientes e familiares;
Passa por prestar esclarecimentos sempre que solicitados, evitando criar falsas impressões entre os familiares e aos próprios pacientes;
Passa por ter uma conduta ética e responsável, assumindo suas deficiências materiais e humanas.
Finalmente, salvar vidas começa por entender os desejos e necessidades dos seres humanos que, salvo engano, são ainda a razão e o motivo da existência de uma Instituição como a Santa Casa de Misericórdia.
Socorrida pelo SAMU, foi levada ao Pronto Socorro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo aproximadamente às 15 horas, onde teve os primeiros atendimentos.
Uma mulher forte e batalhadora, trabalhou em casa e fora dela por muitos e muitos anos para ajudar no sustento da família, tendo criado 4 filhos e muitos netos, assim como muitas outras mulheres idosas deste nosso país de desigualdades e falta de políticas públicas coerentes e decentes.
O acidente provocou sua queda no asfalto, ferindo seu braço direito e sua perna esquerda. Também bateu com a cabeça na guia o que provocou um inchaço considerável.
Os médicos plantonistas da Santa Casa (havia muitos de jalecos brancos com inscrição Dr. Fulano, Dra. Cicrana) examinaram e para formar seu diagnóstico mais preciso, solicitaram radiografias e uma tomografia da cabeça.
Então começou o martírio da minha mãe.
As radiografias foram tiradas, não sem antes minha irmã insistir muito com o pessoal do P.S. Após a análise das radiografias, que não apresentavam anormalidades, os médicos disseram que era preciso aguardar a tomografia para então, depois do parecer dos médicos especialistas, avaliarem se ela teria ou não alta.
Durante esta longa noite, esta idosa de 82 anos permaneceu numa maca dura e suja, no corredor do P.S., tomando um coquetel de medicamentos via intra-venosa que incluía glicose, mesmo constando no prontuário que era diabética e hipertensa.
Bem, o diabetes subiu para quase 300 e aplicaram insulina como deve mandar os protocolos padrões. Depois de 2 horas aproximadamente, e somente após nossa insistência para que eles verificassem novamente o nível do diabetes, o resultado foi 72.
Esta queda brusca fez com que ela começasse a suar muito e sentir calafrios, reação típica do processo de hipoglicemia. Procuramos alguém que pudesse fazer alguma coisa, mas, inacreditavelmente, diante de tantos jalecos brancos, ninguém podia ajudar.
Os argumentos eram os mais diversos:
Médicos:
___ Sou clínico, precisa falar com o pessoal da cirurgia. Da cirurgia não tinha ninguém naquela hora.
Enfermeiros:
___ Não sou desta área, fale com alguém desta área. Daquela área não havia nenhum enfermeiro naquele momento.
Passaram-se quase 1 hora até que alguém resolveu chamar uma médica que providenciou uma injeção de glicose para equilibrar o nível do açúcar.
Por sinal, esta médica foi a única pessoa atenciosa que encontramos na Santa Casa nesta madrugada do dia 20 de outubro e por isso faço questão de destacar o nome da Dra. Ana Paula.
Pois bem, isso tudo ocorria enquanto aguardávamos a tal tomografia.
Indagamos o porquê da demora e a resposta foi a seguinte:
___Já pedimos mas o pessoal da Tomo ainda não chamou. São eles que controlam.
Ora, quem sabe da urgência é ou não o médico?
Justificavam dizendo que, como minha mãe estava bem, passavam casos mais graves na frente.
Estava bem até quando? Estável significa bem? Não entendo o jargão médico mas não sou tão ignorante quanto eles imaginavam.
Ponderamos o fato de ela ter 82 anos, diabética e hipertensa, mas nossos argumentos não foram considerados.
Enfim 6 horas da manhã do dia 20. Troca de turno dos médicos e enfermeiros então, um “sujeito” que me foi apontado como médico avaliador, foi consultado sobre a possibilidade dela ter alta sem a tomografia.
Conscienciosamente, vale a pena destacar, ele disse que deveríamos esperar a tomografia. Cansado também, por estar há mais de 8 horas em pé ao lado da maca da minha mãe, e por perceber a agonia dela com muitas dores na perna e no braço, perguntei-lhe se iria demorar mais tantas horas.
Com uma grossura ímpar o “sujeito” apontado como médico avaliador, bradou com o dedo em riste na minha direção:
___Não fala nada. Eu não vou ouvir nada do que vai dizer. Reclame com o pessoal daqui.
E saiu como se estivesse discutindo com adversários num campo de futebol depois de muitas cervejas.
Isto ocorreu na presença da Dra. Stephanie, que estava assumindo o turno.
Indignado, perguntei a ela o nome do “sujeito” e ela veementemente se recusou a fornecer, tomando uma atitude claramente corporativista. Mas foi justamente por ter percebido que aquela não era a atitude correta de um profissional da saúde em relação aos familiares de uma paciente que, por total incompetência da Santa Casa, estava há tanto tempo aguardando uma tomografia.
Passaram-se mais algumas horas e minha mãe sentiu necessidade de urinar, depois de tanto soro tomado. Neste momento ela estava acompanhada pelo meu sobrinho que pediu ajuda a vários enfermeiros e até médicos.
Pasmem, mas ninguém se prontificou em arranjar uma mísera “comadre” como chamam o urinol nos hospitais. E ela não agüentando se urinou na maca.
Cena dantesca para um hospital que se diz padrão em atendimento de idosos.
Como meu sobrinho ficou indignado e começou a reclamar, foi intimidado pelos seguranças do local.
Uma vergonha....
Enfim, depois de 20 horas finalmente a tomografia foi realizada. Agora era só o médico avaliar o exame para fornecer a Alta. Coisa simples, caso estivéssemos falando de um hospital, mas na Santa Casa de Misericórdia não. O médico somente deu uma olhada na tomografia depois de 5 horas que tinha sido realizada.
Há que se perguntar onde estão os erros;
Se nos profissionais que não são competentes como teriam a obrigação de ser;
Se na estrutura extremamente burocrática que beneficia os procedimentos em detrimento do ser humano;
Se na falta de recursos materiais para atender a demanda a que se propõe a Santa Casa.
Bem, o estatuto do idoso prevê no seu artigo 3:
Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e
privados prestadores de serviços à população;
Sem ser advogado, posso compreender que a Santa Casa não seguiu o que estabelece este artigo, pois em momento algum priorizou o atendimento à uma idosa de 82 anos nas condições tão incômodas e doloridas em que estava.
Ora, mas pra que seguir o estatuto. Ele só serve de plataforma eleitoeira.
Os idosos, diz o IBGE, estão cada vez mais sendo um contingente considerável da população brasileira. Como se os senhores médicos, enfermeiros, seguranças e diretores da Santa Casa estivessem neste mundo de meu Deus por geração espontânea. Ninguém tem mãe, pelo menos que precise de um hospital deste naipe.
Agora vamos analisar este caso à luz dos artigos 4º, 15º e 18º do Estatuto do Idoso;
Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência,
crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na
forma da lei.
Art. 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de
Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e
contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da
saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.
Art. 18. As instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento às
necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitação dos profissionais, assim
como orientação a cuidadores familiares e grupos de auto-ajuda
Que apelo deveríamos fazer aos administradores da “renomada” Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo?
Pelo menos que honrasse o que divulga no histórico da instituição pelo site oficial, como sendo sua missão:
A Missão da Irmandade é exercer a caridade e a misericórdia para o socorro e a assistência aos enfermos, idosos, inválidos e desamparados, prestando serviço de assistência à saúde buscando atingir a excelência no atendimento. O objetivo é ser uma Instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente pela assistência, ensino e pesquisa na área da saúde.
“Exercer a caridade... a idosos...buscando atingir a excelência no atendimento.”
Está muito longe de alcançar, se isto for mais do que simples retórica e estiver sendo encarado pela administração como filosofia de trabalho.
Em outro trecho do referido site, afirma:
A Santa Casa oferece atendimento voltado para a população em geral e dispõe de recursos avançados no campo tecnológico, além de formação profissional especializada.Tradicionalmente, transmite respeitabilidade aos seus usuários, firmando, cada vez mais, sua boa imagem na área hospitalar.
“dispõe de recursos avançados no campo tecnológico..”
Ou seja, uma idosa de 82 anos aguardou numa maca dura e suja por 20 horas para fazer uma simples tomografia da cabeça.
“formação profissional especializada.”
Ou seja, um médico avaliador arrogante, insensível e uma equipe de enfermeiros despreparada para lidar com seres humanos.
Seguindo no seu discurso fantasioso, apresenta sua sentença de morte:
“Pelo atendimento que oferece e por ser uma das instituições hospitalares que mais presta serviços ao SUS, a Santa Casa constitui-se em um dos maiores centros de referência médica nacional.”
Se para o Ministério da Saúde e para o Conselho Regional de Medicina os profissionais desta instituição são referência, vou procurar atendimento no Paraguai, pois lá, pelo menos, eles confessam que são “imitações baratas dos originais”.
Para fechar com chave de ouro o discurso do seu site, a Santa Casa arremata:
“Enfim, a missão da Santa Casa pode ser resumida em salvar vidas. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, todos os segundos, estamos sempre prontos para atender a quem nos procura, seja através dos nossos Prontos Socorros ou dos nossos Prontos Atendimentos.”
Salvar vidas passa por oferecer um tratamento digno e honesto aos pacientes e familiares;
Passa por prestar esclarecimentos sempre que solicitados, evitando criar falsas impressões entre os familiares e aos próprios pacientes;
Passa por ter uma conduta ética e responsável, assumindo suas deficiências materiais e humanas.
Finalmente, salvar vidas começa por entender os desejos e necessidades dos seres humanos que, salvo engano, são ainda a razão e o motivo da existência de uma Instituição como a Santa Casa de Misericórdia.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
E NEM na idade da pedra.
Mais desmandos do poder público com dinheiro público.
O MEC poderia observar críticas como esta para criar maior credibilidade...
O publicitário Silvio Lefèvre mantèm o site Derrapadas em Marketing que eu recomendo.
Silvio Lefèvre apresenta: A DERRAPADA DA QUINZENA (Nº 101)
Toda a imprensa focada na questão do roubo da prova do ENEM, eu não vi nenhum comentário sobre o absurdo em si da sistemática de aplicação deste exame. Será que todo mundo acha normal imprimir provas individuais em papel para 4 milhões de estudantes e mandar a pacotada toda em caminhões para 1829 cidades, nos locais mais distantes do país? Só mesmo por um milagre, neste processo e neste trajeto todo, envolvendo centenas de funcionários internos e externos, alguém não iria surrupiar alguns impressos... Será que alguém lembrou que as eleições no Brasil são totalmente informatizadas? E que 131 milhões de pessoas votam em terminais de computador, nas dezenas, centenas e milhares de urnas, nos 5560 municípios do país? Se foi possível informatizar este gigantesco processo, até mesmo para eleições complexas, como as que envolvem de uma vez só a votação para presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais... será que seria tão difícil de informatizar o ENEM?Eu não sou técnico em informática e nem tenho a fórmula pronta, mas de imediato me ocorre uma banalidade, que é colocar todos os estudantes em frente de um computador qualquer, nos locais de prova, e dar acesso à prova online apenas no exato momento em que tocar o sino, de repente até com uma senha de acesso individual por estudante, fornecida na hora, para evitar que alguém passe cola para eles de fora da sala... Será que fazem questão da prova em papel? Se for este o caso se poderia até colocar uma boa impressora em cada local de prova e imprimir na hora as cópias, assim que o sistema central liberasse o arquivo para download, nem um segundo a mais nem a menos. Pessoalmente acho que nem isso seria preciso porque a prova digitalizada teria ainda a vantagem de ser muito mais facilmente corrigida e pontuada... Mas, enfim, essas são apenas duas idéias simples e bastante óbvias, que poderiam ser aperfeiçoadas sem problema por tantos geninhos informáticos que habitam os ministérios de Brasília e alhures. Em vez disso, insistindo na gigantesca derrapada metodológica, estão falando em imprimir de novo os mais de 4 milhões de cópias de uma nova prova e mandar... pelo correio!!! Gente, desde quando o correio tem confiabilidade para manusear material de alta confidencialidade como este? Quem utiliza intensamente os serviços postais, como eu, sabe muito bem que eles são ótimos, mas não são isentos de problemas com extravios, entregas em endereços errados, pacotes danificados, roubos de carga, greves mais ou menos longas e generalizadas... e mais uma série de ocorrências que são todas tratadas com normalidade, porque são consideradas dentro da margem de erro. Ou seja, estatisticamente, na maior parte do ano, o correio funciona bem, mas nenhuma estatística garante 100% de acerto e, neste caso crítico, basta um único problema no trajeto e... mais um ENEM terá que ser c ancelado. Por que será então que insistem tanto em imprimir milhões de provas de forma centralizada e enviar tudo para cada local do país onde elas serão aplicadas? Um passarinho me assoprou que deve ter gente ganhando dinheiro (até demais) com esta maluquice toda de impressão, distribuição, etc. A licitação aprovou uma proposta (a única!) de R$ 116 milhões! Já pensaram em como se gastaria menos (e portanto alguns ganhariam bem menos) se fosse tudo feito pela internet e não precisasse imprimir nem distribuir nada? Ah... mas e o custo dos 4 milhões de computadores para todos esses candidatos? Tudo tem solução, minha gente. Uma alternativa lógica é utilizar computadores já existentes nas centenas de faculdades que foram literalmente obrigadas a ceder seus espaços para o ENEM. Mas... e se os organizadores fizessem questão de terem computadores especiais para este exame? Neste caso não faltariam projetos de máquinas bem simples, adequadas apenas a esta função, como os terminais utilizados para as eleições. E se faria então uma bela licitação para a aquisição desses terminais, mas não com um candidato só, como esta que escolheu a empresa responsável pela prova que foi roubada... E tem um detalhe: os terminais só custariam uma vez, porque nos anos seguinte poderiam ser usados os mesmos! Querem mais uma idéia? De repente por que fazer todas as provas no mesmo dia? O exame poderia ser aplicado em várias datas, evidentemente com provas de conteúdo diferente. Se for em dois dias já seriam só 2 milhões de terminais, em vez de 4, se for em 4 dias seriam só 500 mil... Idéias não faltariam se esta questão fosse abordada de forma realmente séria, esquecendo os interesses das gráficas, das transportadoras e de todos os intermediários que porventura "facilitem" e se beneficiem com este absurdo e ridículo processo. E tem mais. Que lição de raciocínio lógico e de tecnologia querem ensinar a esses milhões de estudantes do Brasil inteiro aplicando a eles um exame QUENEM na idade da pedra?
Abraço,
Silvio Lefèvre
Esta coluna foi publicada no jornal PropMark - edição de 12/10/2009
O MEC poderia observar críticas como esta para criar maior credibilidade...
O publicitário Silvio Lefèvre mantèm o site Derrapadas em Marketing que eu recomendo.
Silvio Lefèvre apresenta: A DERRAPADA DA QUINZENA (Nº 101)
Toda a imprensa focada na questão do roubo da prova do ENEM, eu não vi nenhum comentário sobre o absurdo em si da sistemática de aplicação deste exame. Será que todo mundo acha normal imprimir provas individuais em papel para 4 milhões de estudantes e mandar a pacotada toda em caminhões para 1829 cidades, nos locais mais distantes do país? Só mesmo por um milagre, neste processo e neste trajeto todo, envolvendo centenas de funcionários internos e externos, alguém não iria surrupiar alguns impressos... Será que alguém lembrou que as eleições no Brasil são totalmente informatizadas? E que 131 milhões de pessoas votam em terminais de computador, nas dezenas, centenas e milhares de urnas, nos 5560 municípios do país? Se foi possível informatizar este gigantesco processo, até mesmo para eleições complexas, como as que envolvem de uma vez só a votação para presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais... será que seria tão difícil de informatizar o ENEM?Eu não sou técnico em informática e nem tenho a fórmula pronta, mas de imediato me ocorre uma banalidade, que é colocar todos os estudantes em frente de um computador qualquer, nos locais de prova, e dar acesso à prova online apenas no exato momento em que tocar o sino, de repente até com uma senha de acesso individual por estudante, fornecida na hora, para evitar que alguém passe cola para eles de fora da sala... Será que fazem questão da prova em papel? Se for este o caso se poderia até colocar uma boa impressora em cada local de prova e imprimir na hora as cópias, assim que o sistema central liberasse o arquivo para download, nem um segundo a mais nem a menos. Pessoalmente acho que nem isso seria preciso porque a prova digitalizada teria ainda a vantagem de ser muito mais facilmente corrigida e pontuada... Mas, enfim, essas são apenas duas idéias simples e bastante óbvias, que poderiam ser aperfeiçoadas sem problema por tantos geninhos informáticos que habitam os ministérios de Brasília e alhures. Em vez disso, insistindo na gigantesca derrapada metodológica, estão falando em imprimir de novo os mais de 4 milhões de cópias de uma nova prova e mandar... pelo correio!!! Gente, desde quando o correio tem confiabilidade para manusear material de alta confidencialidade como este? Quem utiliza intensamente os serviços postais, como eu, sabe muito bem que eles são ótimos, mas não são isentos de problemas com extravios, entregas em endereços errados, pacotes danificados, roubos de carga, greves mais ou menos longas e generalizadas... e mais uma série de ocorrências que são todas tratadas com normalidade, porque são consideradas dentro da margem de erro. Ou seja, estatisticamente, na maior parte do ano, o correio funciona bem, mas nenhuma estatística garante 100% de acerto e, neste caso crítico, basta um único problema no trajeto e... mais um ENEM terá que ser c ancelado. Por que será então que insistem tanto em imprimir milhões de provas de forma centralizada e enviar tudo para cada local do país onde elas serão aplicadas? Um passarinho me assoprou que deve ter gente ganhando dinheiro (até demais) com esta maluquice toda de impressão, distribuição, etc. A licitação aprovou uma proposta (a única!) de R$ 116 milhões! Já pensaram em como se gastaria menos (e portanto alguns ganhariam bem menos) se fosse tudo feito pela internet e não precisasse imprimir nem distribuir nada? Ah... mas e o custo dos 4 milhões de computadores para todos esses candidatos? Tudo tem solução, minha gente. Uma alternativa lógica é utilizar computadores já existentes nas centenas de faculdades que foram literalmente obrigadas a ceder seus espaços para o ENEM. Mas... e se os organizadores fizessem questão de terem computadores especiais para este exame? Neste caso não faltariam projetos de máquinas bem simples, adequadas apenas a esta função, como os terminais utilizados para as eleições. E se faria então uma bela licitação para a aquisição desses terminais, mas não com um candidato só, como esta que escolheu a empresa responsável pela prova que foi roubada... E tem um detalhe: os terminais só custariam uma vez, porque nos anos seguinte poderiam ser usados os mesmos! Querem mais uma idéia? De repente por que fazer todas as provas no mesmo dia? O exame poderia ser aplicado em várias datas, evidentemente com provas de conteúdo diferente. Se for em dois dias já seriam só 2 milhões de terminais, em vez de 4, se for em 4 dias seriam só 500 mil... Idéias não faltariam se esta questão fosse abordada de forma realmente séria, esquecendo os interesses das gráficas, das transportadoras e de todos os intermediários que porventura "facilitem" e se beneficiem com este absurdo e ridículo processo. E tem mais. Que lição de raciocínio lógico e de tecnologia querem ensinar a esses milhões de estudantes do Brasil inteiro aplicando a eles um exame QUENEM na idade da pedra?
Abraço,
Silvio Lefèvre
Esta coluna foi publicada no jornal PropMark - edição de 12/10/2009
sábado, 16 de maio de 2009
Tendências em Marketing
O Marketing moderno não permite o uso de bola de cristal.
Definitivamente procura conhecer mais do que as necessidades e expectativas do consumidor. Procura conhecer tais detalhes mas nos próximos 5 ou 10 anos.
A palavra de ordem é antecipação.....
Vejamos como então, prever o futuro com técnica e apuro científico.
A americana Faith Popcorn exerce uma profissão moderníssima: ela detecta tendências de consumo e vende essas informações a indústrias que irão vender a todos nós as coisas que Faith previu. Não é a única a fazer isso – mas é a figura mais respeitada do ramo e a que ganha mais dinheiro. Sua empresa de consultoria, marketing e pesquisas de mercado, a BrainReserve, cravada há 28 anos em um dos quarteirões mais chiques de Manhattan, em Nova York, fatura 25 milhões de dólares por ano e exibe entre seus clientes gigantes como a IBM, a BMW, a Procter & Gamble, o McDonald's e a Cigna. Um projeto de sua consultoria pode facilmente custar 1 milhão de dólares. O mito em torno de seus acertos decorre, pode-se dizer, de seus acertos. Alguns exemplos: ela percebeu dezoito anos atrás que a insegurança das grandes cidades estava fazendo com que as pessoas preferissem se fechar em casa, diante do videocassete. Hoje isso parece óbvio, mas foi Popcorn quem viu primeiro e deu ao fenômeno o nome de cocooning (encasulamento, em inglês). Quando os utilitários esportivos eram apenas uma mania fora-de-estrada, ela avisou que os jipões virariam febre de consumo urbano.
Com informações desse tipo na mão, as indústrias – do fabricante de salgadinhos aos produtores de Hollywood – podem desenvolver projetos baseados na tendência e faturar bilhões. O trabalho de profissionais como Popcorn tornou-se tão importante no mercado globalizado que muitas consultorias vendem relatórios anuais de tendências de consumo. É por isso que, quando a guru do marketing fala, o mundo presta atenção. Os três primeiros livros, O Relatório Popcorn (1991), Click (1996) e Público-Alvo Mulher (2000), venderam mais de 500.000 exemplares, 35.000 deles no Brasil. O mais recente, Dictionary of the Future (Dicionário do Futuro), que deve ser lançado em português no próximo mês, pretende mostrar as palavras, expressões e tendências "que definem o modo como vamos viver, trabalhar e falar" nos próximos anos. Não se trata de bola de cristal. Na BrainReserve, Popcorn lidera vinte pessoas (80% mulheres) encarregadas de acompanhar mensalmente seis centenas de revistas e jornais em dez línguas. A equipe é obrigada a assistir ao maior número possível de programas de televisão, filmes e peças de teatro. Uma vez por semana há reunião para discutir as mudanças de comportamento observadas no mundo do consumo. "Não é o modismo que me interessa, mas a força anterior a ele", disse Popcorn a VEJA. "O modismo é imediato. A tendência pode levar dez anos para se concretizar."
Aos 58 anos, ela é viciada em trabalho. Passa 100 horas por semana no batente e leva a filha de 3 anos, uma chinesinha que adotou com 10 meses, para o escritório todos os dias. Grande parte de suas previsões é baseada em informações coletadas nos Estados Unidos. Mas uma rede de 6.000 colaboradores em todos os cantos do mundo dá a dimensão global aos estudos. "Uma tendência pode estar em diferentes estágios em várias partes do mundo, mas sua organização é universal", diz Popcorn. Os esportes radicais, por exemplo, tendem a ser cada vez mais exagerados. Popcorn acredita que em breve o mundo todo vai copiar alguns neozelandeses que inventaram outro tipo de rafting: eles se lançam na correnteza sem bote, apenas com roupa de mergulho e cilindros de oxigênio. Detalhe: no escuro. Ela prevê que executivos endinheirados darão um novo impulso à indústria do lazer. Isso porque a carga de trabalho está tão insuportável que eles vão economizar para anos sabáticos ou para gastar a rodo no período de férias.
Popcorn aposta nas necessidades de consumo de um contingente cada vez maior de profissionais bem pagos e muito estressados. Esse consumidor está afoito por pequenos mimos que sirvam como gratificação para a pressão do dia-a-dia. Também quer comida melhor e aparência jovem. Não é à toa que os spas urbanos, com massagens de todos os tipos, banhos de óleos e tratamentos de beleza, estão se multiplicando mundo afora e faturando alto. Com base nesse fenômeno, Popcorn prevê os cruzeiros marítimos para pequenas cirurgias plásticas reparadoras. Aplicações de Botox e liftings poderão ser feitos a bordo de um cenário deslumbrante. "No momento em que você voltar, as manchas escuras terão ido embora e as pessoas vão pensar que sua pele está linda e você está realmente bastante descansada", diz. Uma coisa não vai mudar: as mulheres continuarão a ser o motor do consumo. De acordo com as pesquisas, a opinião feminina é decisiva em 80% das compras efetuadas pela humanidade.
Ela também já errou feio. No fim dos anos 80, afirmou com todas as letras que o medo de sair de casa iria decretar a falência dos supermercados. Na década passada, ao contrário, eles multiplicaram-se. Alguns começaram a funcionar 24 horas por dia com shows e programações musicais. O nome original dela é Faith Beryl Plotkin, filha de um militar do Departamento de Investigações Criminais do Exército americano e neta de judeus ortodoxos. Aos 20 e poucos anos, recebeu do chefe o apelido de Popcorn (pipoca). "Gostei do som, da cadência, do humor, e resolvi adotá-lo", diz. "É bom porque vira piada e ninguém esquece." Ela não apenas mudou o próprio nome como sugere que seus funcionários façam o mesmo. "Os nomes devem gerar algum comentário. Ou contra ou a favor", justifica. Ou seja, tudo é uma questão de marketing.
Retorno às origens: a tendência de utilizar práticas antigas como âncoras ou suporte para os estilos de vida modernos;
Viver: o desejo de viver mais e desfrutar mais a vida;
Mudança de vida: o desejo de seguir um estilo de vida mais simples e menos agitado;
Formação de clãs: a crescente necessidade de se associar e pertencer a grupos para enfrentar um mundo mais caótico;
Encasulamento: o impulso de proteção quando o que acontece lá fora é muito difícil e assustador;
Volta ao passado: a tendência de as pessoas agirem e se sentirem como se fossem mais jovens que sua idade cronológica;
Egonomia: o desejo de oferecer a si mesmo posses e experiências;
Aventura da fantasia: a necessidade de encontrar válvulas de escapes emocionais para compensar as rotinas diárias;
FemininaMente: o reconhecimento de que homens e mulheres agem e pensam de maneira diferente;
Queda de ícones: a idéia de que ’se é grande, é ruim’;
Emancipação: a emancipação dos homens de seus papéis masculinos estereotipados;
99 vidas: a tentativa de aliviar as pressões do tempo fazendo muitas coisas de uma vez só;
Revanche do prazer: busca clara e ‘assumida’ do prazer, em oposição ao autocontrole e à privação;
S.O.S (Salve O Social): o desejo de tornar a sociedade mais responsável com relação à educação, à ética e ao meio ambiente;
Pequenas indulgências: uma inclinação para se satisfazer com pequenos exageros, a fim de obter um estímulo emocional ocasional;
Consumidor vigilante: a intolerância para com produtos de baixa qualidade e serviços inadequados.
Veja on line - Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
Definitivamente procura conhecer mais do que as necessidades e expectativas do consumidor. Procura conhecer tais detalhes mas nos próximos 5 ou 10 anos.
A palavra de ordem é antecipação.....
Vejamos como então, prever o futuro com técnica e apuro científico.
A americana Faith Popcorn exerce uma profissão moderníssima: ela detecta tendências de consumo e vende essas informações a indústrias que irão vender a todos nós as coisas que Faith previu. Não é a única a fazer isso – mas é a figura mais respeitada do ramo e a que ganha mais dinheiro. Sua empresa de consultoria, marketing e pesquisas de mercado, a BrainReserve, cravada há 28 anos em um dos quarteirões mais chiques de Manhattan, em Nova York, fatura 25 milhões de dólares por ano e exibe entre seus clientes gigantes como a IBM, a BMW, a Procter & Gamble, o McDonald's e a Cigna. Um projeto de sua consultoria pode facilmente custar 1 milhão de dólares. O mito em torno de seus acertos decorre, pode-se dizer, de seus acertos. Alguns exemplos: ela percebeu dezoito anos atrás que a insegurança das grandes cidades estava fazendo com que as pessoas preferissem se fechar em casa, diante do videocassete. Hoje isso parece óbvio, mas foi Popcorn quem viu primeiro e deu ao fenômeno o nome de cocooning (encasulamento, em inglês). Quando os utilitários esportivos eram apenas uma mania fora-de-estrada, ela avisou que os jipões virariam febre de consumo urbano.
Com informações desse tipo na mão, as indústrias – do fabricante de salgadinhos aos produtores de Hollywood – podem desenvolver projetos baseados na tendência e faturar bilhões. O trabalho de profissionais como Popcorn tornou-se tão importante no mercado globalizado que muitas consultorias vendem relatórios anuais de tendências de consumo. É por isso que, quando a guru do marketing fala, o mundo presta atenção. Os três primeiros livros, O Relatório Popcorn (1991), Click (1996) e Público-Alvo Mulher (2000), venderam mais de 500.000 exemplares, 35.000 deles no Brasil. O mais recente, Dictionary of the Future (Dicionário do Futuro), que deve ser lançado em português no próximo mês, pretende mostrar as palavras, expressões e tendências "que definem o modo como vamos viver, trabalhar e falar" nos próximos anos. Não se trata de bola de cristal. Na BrainReserve, Popcorn lidera vinte pessoas (80% mulheres) encarregadas de acompanhar mensalmente seis centenas de revistas e jornais em dez línguas. A equipe é obrigada a assistir ao maior número possível de programas de televisão, filmes e peças de teatro. Uma vez por semana há reunião para discutir as mudanças de comportamento observadas no mundo do consumo. "Não é o modismo que me interessa, mas a força anterior a ele", disse Popcorn a VEJA. "O modismo é imediato. A tendência pode levar dez anos para se concretizar."
Aos 58 anos, ela é viciada em trabalho. Passa 100 horas por semana no batente e leva a filha de 3 anos, uma chinesinha que adotou com 10 meses, para o escritório todos os dias. Grande parte de suas previsões é baseada em informações coletadas nos Estados Unidos. Mas uma rede de 6.000 colaboradores em todos os cantos do mundo dá a dimensão global aos estudos. "Uma tendência pode estar em diferentes estágios em várias partes do mundo, mas sua organização é universal", diz Popcorn. Os esportes radicais, por exemplo, tendem a ser cada vez mais exagerados. Popcorn acredita que em breve o mundo todo vai copiar alguns neozelandeses que inventaram outro tipo de rafting: eles se lançam na correnteza sem bote, apenas com roupa de mergulho e cilindros de oxigênio. Detalhe: no escuro. Ela prevê que executivos endinheirados darão um novo impulso à indústria do lazer. Isso porque a carga de trabalho está tão insuportável que eles vão economizar para anos sabáticos ou para gastar a rodo no período de férias.
Popcorn aposta nas necessidades de consumo de um contingente cada vez maior de profissionais bem pagos e muito estressados. Esse consumidor está afoito por pequenos mimos que sirvam como gratificação para a pressão do dia-a-dia. Também quer comida melhor e aparência jovem. Não é à toa que os spas urbanos, com massagens de todos os tipos, banhos de óleos e tratamentos de beleza, estão se multiplicando mundo afora e faturando alto. Com base nesse fenômeno, Popcorn prevê os cruzeiros marítimos para pequenas cirurgias plásticas reparadoras. Aplicações de Botox e liftings poderão ser feitos a bordo de um cenário deslumbrante. "No momento em que você voltar, as manchas escuras terão ido embora e as pessoas vão pensar que sua pele está linda e você está realmente bastante descansada", diz. Uma coisa não vai mudar: as mulheres continuarão a ser o motor do consumo. De acordo com as pesquisas, a opinião feminina é decisiva em 80% das compras efetuadas pela humanidade.
Ela também já errou feio. No fim dos anos 80, afirmou com todas as letras que o medo de sair de casa iria decretar a falência dos supermercados. Na década passada, ao contrário, eles multiplicaram-se. Alguns começaram a funcionar 24 horas por dia com shows e programações musicais. O nome original dela é Faith Beryl Plotkin, filha de um militar do Departamento de Investigações Criminais do Exército americano e neta de judeus ortodoxos. Aos 20 e poucos anos, recebeu do chefe o apelido de Popcorn (pipoca). "Gostei do som, da cadência, do humor, e resolvi adotá-lo", diz. "É bom porque vira piada e ninguém esquece." Ela não apenas mudou o próprio nome como sugere que seus funcionários façam o mesmo. "Os nomes devem gerar algum comentário. Ou contra ou a favor", justifica. Ou seja, tudo é uma questão de marketing.
Retorno às origens: a tendência de utilizar práticas antigas como âncoras ou suporte para os estilos de vida modernos;
Viver: o desejo de viver mais e desfrutar mais a vida;
Mudança de vida: o desejo de seguir um estilo de vida mais simples e menos agitado;
Formação de clãs: a crescente necessidade de se associar e pertencer a grupos para enfrentar um mundo mais caótico;
Encasulamento: o impulso de proteção quando o que acontece lá fora é muito difícil e assustador;
Volta ao passado: a tendência de as pessoas agirem e se sentirem como se fossem mais jovens que sua idade cronológica;
Egonomia: o desejo de oferecer a si mesmo posses e experiências;
Aventura da fantasia: a necessidade de encontrar válvulas de escapes emocionais para compensar as rotinas diárias;
FemininaMente: o reconhecimento de que homens e mulheres agem e pensam de maneira diferente;
Queda de ícones: a idéia de que ’se é grande, é ruim’;
Emancipação: a emancipação dos homens de seus papéis masculinos estereotipados;
99 vidas: a tentativa de aliviar as pressões do tempo fazendo muitas coisas de uma vez só;
Revanche do prazer: busca clara e ‘assumida’ do prazer, em oposição ao autocontrole e à privação;
S.O.S (Salve O Social): o desejo de tornar a sociedade mais responsável com relação à educação, à ética e ao meio ambiente;
Pequenas indulgências: uma inclinação para se satisfazer com pequenos exageros, a fim de obter um estímulo emocional ocasional;
Consumidor vigilante: a intolerância para com produtos de baixa qualidade e serviços inadequados.
Veja on line - Edição 1 738 - 13 de fevereiro de 2002
domingo, 14 de outubro de 2007
Explorar a Criatividade
- Você é um ser único, deixe sua marca em tudo que fizer;
- Deixe seu diferencial na vida;
- Não se prenda aos modelos existentes;
- Trace caminhos maiores do que os encontrados;
- Busque oportunidades e não apenas segurança;
- Ouse muito!
- Busque a alta qualidade e não a perfeição;
- Perceba a diferença entre o que você precisa e o que quer, MAS NÃO DESPREZE NENHUM.
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